quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Em resposta a acusação de plágio, filho de Lula diz: 'o cliente não reclamou'


O advogado Cristiano Zanin Martins afirma que a única pessoa
que teria legitimidade para contestar o plágio seria o cliente
Imagem: Moacyr Lopes Junior / Folhapress
Luís Cláudio Lula da Silva, o filho de Lula, recebeu cerca de R$ 2,5 milhões por supostos serviços prestados à empresa Marcondes e Mautoni, acusada de lobby e da compra de medidas provisórias para favorecer empresas do setor automotivo. A PF afirma que a maior parte dos relatórios apresentados por Luís Cláudio foi copiada da internet, em particular da Wikipedia. Outra parte dos relatórios foi copiada de outros sites, entre eles o "Mundo das Marcas", sem citação da fonte.
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Consultado pelo jornal O Globo, o publicitário Kadu Dias, dono do “Mundo das Marcas”, disse que nunca teve relação com Luís Cláudio ou a LFT. “O MDM (Mundo das Marcas) é referência neste assunto na web e demorei muito para conquistar credibilidade, com meus textos sendo utilizados por professores, alunos, profissionais de comunicação e grandes veículos de mídia especializada. O blog é aberto ao público e toda informação pode ser utilizada por terceiros, desde que cite a fonte. Esse é meu lema: levar informação de qualidade gratuitamente a quem precise. Se você tiver mais informações sobre este caso, peço a gentileza que me envie para que eu possa tomar providências jurídicas contra este senhor e sua empresa”, disse Kadu.

O advogado Cristiano Zanin Martins, que representa Luís Cláudio, defendeu o trabalho de seu cliente, afirmando que "o cliente não reclamou". Em mensagem ao jornal, destacou que a Marcondes & Mautoni não reclamou dos trechos copiados. “Essa parte dos trabalhos contratados não foi contestada em nenhum momento pela única pessoa que teria legitimidade para isso: a empresa contratante. Além disso, há uma evidente distorção por parte das autoridades, que após mais de oito meses de investigação não conseguiram apontar uma única conduta de Luis Cláudio que pudesse configurar indício de uma prática ilegal e justificar a existência desse procedimento investigatório”, disse. 

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigam as relações entre as duas empresas. A Marcondes & Mautoni, cujos donos estão presos, é acusada de participar da negociação de medidas provisórias que favoreceriam a Caoa, representante da Hyundai, e a MMC Automotores, que fabrica veículos da Mitsubishi no Brasil. A Marcondes & Mautoni recebeu mais de R$ 32 milhões das duas montadoras, quando estariam em curso tratativas para alterar três medidas provisórias, entre 2009 e 2014. A empresa ainda tinha contrato com a Saab, empresa sueca que ganhou licitação para vender caças à Aeronáutica.

Em 6 de janeiro deste ano, a PF indagou a Lula se os pagamentos da Marcondes & Mautoni à LFT eram por serviços prestados pelo ex-presidente à Saab ou à indústria automobilística. Lula respondeu que isso era “um absurdo”. Semana passada, o delegado Marlon Cajado confirmou que investiga se Lula e outros ex-servidores públicos foram corrompidos ou se a menção aos seus nomes era só uma forma de os acusados propagarem influência que não tinham.

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André de Souza
O Globo
Editado por Folha Política
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