quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Engenheiro admite que fez obra no 'sítio do Lula' a pedido da Odebrecht


Imagem: Rubens Cavallari / Folhapress
Em depoimento à força-tarefa da Operação Lava Jato, o engenheiro Frederico Barbosa afirmou que atuou nas obras do sítio de Atibaia, frequentado pela família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por solicitação de um de seus superiores na Odebrecht, empresa para a qual trabalha.

Segundo a Folha apurou, em testemunho prestado na segunda (22), Barbosa contou aos procuradores que atendeu a solicitação para avaliar os trabalhos na propriedade rural que estavam atrasados. Os serviços no sítio começaram em outubro de 2010, quando Lula era presidente.

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A versão dada à força-tarefa da Lava Jato é diferente daquela apresentada à Folha em entrevista publicada no final de janeiro, em que o engenheiro negou que a Odebrecht tivesse relação com as obras.

"Eu prestei um serviço para uma empresa contratada pelo proprietário, mas não tem nada a ver com a empresa [Odebrecht]", disse à época à reportagem.

A investigação sobre a atuação da empreiteira no sítio é alvo da força-tarefa da Lava Jato desde que a Folha publicou uma entrevista com a ex-dona de uma loja de materiais de construção que afirmou que a empreiteira havia bancado parte da obra na propriedade rural e Barbosa teria coordenado os trabalhos.

VERSÕES

Outra mudança de versão no depoimento do engenheiro ocorreu em relação ao período em que prestou os serviços. Na entrevista à Folha, Barbosa havia dito que tinha trabalhado em suas "férias, em recesso de final de ano".

Aos procuradores, admitiu que além de trabalhar no recesso, fez dupla jornada em obras da Odebrecht e no sítio durante um período dos serviços com o consentimento da empreiteira.

Também explicou como se envolveu no projeto. Disse que após o pedido da empresa, foi à propriedade fazer uma avaliação do que seria necessário para acelerar o andamento dos trabalhos.



Concluiu que seria preciso contratar uma pequena empreiteira e indicou uma empresa da região com a qual já havia trabalhado, cujo dono se chama Carlos, segundo seu testemunho.

Em janeiro, Barbosa informou à reportagem que tinha trabalhado na propriedade rural para dar apoio pessoal a um amigo de nome Carlos.

No depoimento de segunda-feira, o engenheiro negou ter conhecimento, à época, de que o sítio seria usado pelo ex-presidente Lula e seus familiares. Barbosa confirmou o que havia dito à Folha sobre não ter recebido nenhuma remuneração por ter atuado no sítio.

O engenheiro ficou conhecido em todo país por ser o responsável pela construção da Arena Corinthians, estádio de futebol em Itaquera, na zona Leste de São Paulo.

O advogado de Barbosa, Guilherme San Juan, disse que não iria fazer comentários, já que o caso está sob sigilo. Mas informou que seu cliente "prestou todos os esclarecimentos às autoridades e está disposto a colaborar".

Em nota, a Odebrecht afirmou que não iria se manifestar sobre o inquérito por desconhecê-lo.

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Bela Megale e Flávio Ferreira
Folha de S. Paulo
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