terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

PF diz que e-mails indicam influência de João Santana sobre Dilma e Lula


Imagem: Reprodução / UOL
Relatório da Polícia Federal (PF) após análise do e-mail do publicitário João Santana afirma que o marqueteiro tinha influência e acesso à presidente Dilma Rousseff, e ao ex-presidente Lula. A conclusão é baseada em pedidos que chegavam a Santana para que ele intermediasse encontros ou enviasse mensagens aos petistas.

O documento faz parte das investigações que culminaram na 23ª fase da Operação Lava Jato, que expediu mandado de prisão contra João Santana e outras sete pessoas. Além de Lula e Dilma, o relatório conclui que Santana tinha “vínculos pessoais” com membros do alto escalão do governo federal e do PT.

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Uma das trocas de e-mails destacada pela PF é entre Santana e o ex-ministro Roberto Mangabeira Unger. Inicialmente, Unger envia um e-mail destinado diretamente a Dilma Rousseff, com um pedido de audiência, que Santana deveria encaminhar para a presidente.

“Ficarei, Senhora Presidenta, triste e inconformado se não puder levar adiante a colaboração que a Senhora me propôs. As dificuldades por que passam o país e o governo só reforçam meu desejo de ajudá-la, no que puder, na formulação de iniciativas que abram novo caminho para o país e na construção do discurso que as expliquem aos brasileiros (...) Estou a sua disposição, Senhora Presidenta. Não pretendo cargo ou remuneração. Desejo apenas tarefa”, diz trecho de e-mail, enviado em outubro de 2015.

Minutos após essa mensagem, Unger manda outro e-mail a Santana pedindo ao publicitário que ele dê “um empurrão” para que ele possa falar com a presidente. O documento não traz as respostas de Santana, mas e-mails seguintes de Unger dão a entender que ele conversou com Santana por outros meios.

“A conclusão possível de ser tirada da simples leitura das mensagens trocada é a de que Roberto Mangabeira Unger utiliza João Cerqueira De Santana Filho para repassar mensagens à Presidente da República. Além disso, pede, explicitamente, que o investigado interceda junto à Presidente em seu favor, solicitando, inclusive, que (...) empreenda esforços a fim de viabilizar um encontro pessoal entre Mangabeira e Dilma Rousseff”, diz o delegado da PF Filipe Pace.

João Santana foi marqueteiro das duas campanhas presidenciais de Dilma Rousseff, em 2010 e 2014, além da campanha de reeleição de Lula em 2006. O relatório também traz e-mails que demonstram proximidade de Santana com o ex-presidente.

“Além do evidente acesso que João Cerqueira De Santana Filho possui junto à Presidente da República, outra mensagem trocada com Roberto Mangabeira Unger demonstra que o investigado também tem acesso exclusivo ao ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula Da Silva.

A conclusão é baseada em um e-mail enviado por Unger a João Santana em novembro de 2015, após encontrar com Lula pessoalmente e prometer que encaminharia alguns textos ao ex-presidente.

“Curioso é que Mangabeira, para encaminhar os textos ao ex-Presidente, enviou-os para o e-mail de João Cerqueira De Santana Filho. A conclusão lógica é que o investigado também possui relação extremamente próxima com Luiz Inácio Lula Da Silva até os dias atuais. O mesmo tipo de relação é partilhado com a atual Presidente da República”, diz a PF.




Outro e-mail que menciona Lula foi enviado por José Manuel de la Sota, ex-governador de Córdoba, na Argentina. A mensagem de novembro de 2015 pede a João Santana uma reunião reservada com Lula para tratar da situação da política da Argentina e da posição do presidente Maurício Macri na próxima reunião do Mercosul.

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Em resposta, Santana diz que acha interessante a conversa, mas em outro período. “O presidente Lula está sob uma carga muito forte da ação adversária e é melhor passar um pouco isso. Te aviso quando julgar mais oportuno”, respondeu o publicitário.

“Pelo teor da resposta, verificamos que o investigado João Cerqueira De Santana Filho possui certa influência sobre as ações do ex-Presidente Luis Inácio Lula Da Silva”, afirma o delegado Pace.

23ª fase

O publicitário baiano João Santana, marqueteiro das campanhas da presidente Dilma Rousseff e da campanha da reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, recebeu US$ 7,5 milhões em conta secreta no exterior, segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Investigadores suspeitam que ele foi pago com propina de contratos da Petrobras. "Há o indicativo claro de que esses valores têm origem na corrupção da própria Petrobras. É bom deixar isso bem claro, para que não se tenha a ilusão de que estamos trabalhando com caixa 2, somente", disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.

Outro lado

O Instituto Lula informou que o ex-presidente não vai comentar o relatório da PF.

O coordenador jurídico da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff, Flávio Caetano, divulgou nota nesta segunda-feira (22) na qual afirma que o pagamento de R$ 88 milhões ao marqueteiro João Santana se deu de forma legal.

Flávio Caetano menciona documento da Operação Acarajé – desdobramento da Lava Jato deflagrado nesta segunda, que inclui mandado de prisão de João Santana – no qual se afirma que "não há, e isso deve ser ressaltado, indícios de que tais pagamentos estejam revestidos de ilegalidades".

"Reafirmamos que na campanha da Presidente Dilma Rousseff todas as despesas foram devida e regularmente contabilizadas", diz o advogado na nota.

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Fernando Castro
G1
Editado por Folha Política
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