quinta-feira, 3 de março de 2016

Dilma convoca reunião de emergência para discutir delação de Delcídio


Imagem: Ueslei Marcelino / Reuters
Minutos após a rápida cerimônia que deu posse aos novos ministros do Ministério da Justiça, AGU (Advocacia-Geral da União) e CGU (Controladoria-Geral da União), a presidente Dilma Rousseff convocou nesta quinta-feira (4) uma reunião de emergência no terceiro andar do Palácio do Planalto para discutir a delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS).

Segundo informações veiculadas no site da revista "IstoÉ", o senador disse que a presidente usou sua influência para evitar a punição de empreiteiros ao nomear o ministro Marcelo Navarro para o STJ (Superior Tribunal de Justiça). Ainda de acordo com Delcídio, Dilma pediu que ele falasse com Navarro para garantir a soltura dos empresários Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo, presos na Operação Lava Jato.

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A ordem inicial no Palácio do Planalto é descredenciar Delcídio, repetir que ele falou mentiras "em outras ocasiões", e que, portanto, "não tem credibilidade" para dar informações. Nos bastidores, porém, o clima é de apreensão.

Dilma pediu que seus assessores mais próximos fossem para seu gabinete logo após o evento discutir os efeitos no governo das declarações de Delcídio e a estratégia da presidente diante do assunto. No caminho para a sala da chefe, o ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) disse que não poderia fazer nenhum comentário sobre o tema porque ainda não havia lido a reportagem.

Pouco antes da cerimônia, os principais auxiliares da presidente foram avisados por assessores –via mensagens de celular– sobre a possível delação de Delcídio e que o conteúdo implicava Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para evitar rumores de que a notícia impactou o entorno de Dilma, a cerimônia atrasou pouco mas não durou mais de vinte minutos.

Após os rápidos cumprimentos, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, empossado nesta quinta chefe da AGU, juntou-se aos colegas na reunião com Dilma.

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Marina Dias
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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