quarta-feira, 27 de abril de 2016

Delegado da PF revela dificuldades de manter o ritmo da Lava Jato


Imagem: Márcio Fernandes / Estadão
O delegado de Polícia Federal Filipe Hille Pace, que faz parte da equipe da Lava Jato no Paraná, afirmou em despacho do dia 6 de abril que a sucessiva deflagração de fases da operação, que já soma 28 etapas, ‘impossibilita a conclusão célere da análise de todo o material apreendido em fases pretéritas’.


Para o delegado, também é inviável se estender por tempo indeterminado os inquéritos policiais ‘sob o pretexto de se aguardar a exaustiva e integral análise dos materiais apreendidos por ocasião de cada uma das fases da aludida operação policial’.

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As afirmações de Pace revelam as dificuldades, até estruturais, da intensa rotina de trabalho da equipe da Lava Jato para manter o acelerado passo das investigações em Curitiba.

O ‘desabafo’ do delegado foi feito no bojo de um inquérito que tem como alvos o ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Jorge Luiz Zelada, já condenado a 12 anos e dois meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro e o lobista e ex-gerente da estatal João Augusto Resende Henriques, condenado a seis anos e oito meses de prisão pelos mesmos crimes, além de outros investigados. Os dois são apontados como cota do PMDB no esquema de corrupção na Petrobrás e que teriam sido “apadrinhados” pelo vice-presidente Michel Temer.

A investigação, que começou em setembro de 2015 para apurar as suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas por parte dos investigados acabou revelando novas offshores, contratos de fachada e estratégias de ocultação de bens dos investigados envolvendo até familiares e conhecidos deles no Brasil, além de novos contratos da Petrobrás nos quais teriam ocorrido pagamento de propinas de empresas internacionais.

Diante do grande volume de descobertas e indícios que podem levar a novos crimes, o delegado Filipe Pace apontou que ‘não há razoabilidade e possibilidade fática e humana a se apurar, no presente inquérito, todos os crimes que possam ter sido praticados pelos indiciados em desfavor da estatal brasileira’.

Ele lembra ainda que há fatos envolvendo Zelada e Henriques ainda sob investigações sigilosas e que novos fatos que vierem à tona vão dar origem a novos inquéritos, indicando que a investigação do núcleo do PMDB no esquema está longe de ser encerrada’.

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Mateus Coutinho, Julia Affonso e Ricardo Brandt
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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