domingo, 22 de maio de 2016

Artistas e produtores comentam recriação do Ministério da Cultura


Imagem: Reprodução / O Globo
A decisão do presidente interino Michel Temer de extinguir o Ministério da Cultura (MinC) e incorporar a área à Educação — criando o Ministério da Educação e Cultura —, foi marcada por protestos da classe artística. Já a notícia da recriação do MinC neste sábado, dia 21, chegou cercada de desconfianças.


Veja a repercussão:

Fernanda Torres, atriz:

"Eu acho que o Temer deve ter se arrependido muito com a extinção desse ministério. Ele não tinha ideia dessa reação e de que esse flanco seria aberto. Não teve outro jeito. E se pensarmos em quanto custava o ministério, era nada. Era um gesto simbólico, cortar ministério. Ele não achava que o fim do MinC tivesse a capacidade de mobilizar a opinião". 

Leia também: 

Paula Lavigne, empresária, produtora, e diretora presidente da Associação Procure Saber:

"Estamos contentes. É o que o Caetano falou, o MinC é do Estado, não é de nenhum governo. Marcelo (Calero) é um bom nome, ele chegou bem, procurando as pessoas, querendo conversar - afirma Paula, que se diz preocupada com o "linchamento que a classe artística vem sofrendo". - Agora uma das primeiras coisas que devemos fazer é trabalhar para que as pessoas entendam o que é a cultura. Temo a volta dessa ideia antiga que artista é vagabundo, de Fernanda Montenegro a quem mais você imaginar. A cultura não é um ônus, um custo desnecessário para o Estado. Somos geradores de empregos diretos e indiretos, pagamos impostos, participamos para a riqueza do país, não só da imaterial, da alma, mas principalmente da material. É um setor importante da economia que também está sofrendo com a crise, onde também há desemprego. A indústria criativa não pode ser tratada como coisa de vagabundos mamadores de teta. As pessoas que dizem isso não tem a menor noção do que é cultura. Pensam que é showzinho, não sabem que existe um patrimônio histórico, bibliotecas, museus..." 

Anna Muylaert, cineasta:

"Não conheço o Marcelo Calero, então, não sei o que dizer sobre ele. Para mim, a questão principal sobre a volta do Ministério da Cultura é outra. É que tipo de MinC vai voltar. Não sei se vai ser o mesmo do (Gilberto) Gil ou do Juca (Ferreira). Eles descentralizaram a Cultura no Brasil, principalmente o cinema. Fizeram um trabalho maravilhoso. A volta do ministério no governo Temer eu não sei como vai ser".

Eduardo Barata, presidente da Associação de Produtores de Teatro (APTr):

"Estou muito feliz com essa nossa conquista. É uma vitória que demonstra a força da sociedade civil organizada. Mostrou que, independentemente de pessoas legitimarem o governo ou não, estamos num estado de direito democrático. O governo cedeu a pressão da sociedade civil organizada. Significa pra nós uma retomada de diálogo, porque até agora, o governo provisório vinha demonstrando uma extrema má vontade. Comprou uma briga desnecessária, com argumentos econômicos, quando a Cultura era o antepenúltimo orçamento da União."

Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação do governo Dilma, pelo Facebook:

"A anunciada recriação do Ministério da Cultura mostra que esse é o governo mais suscetível a pressões dos últimos anos. Isso decorre, obviamente, de sua vulnerabilidade. Razão a mais para pressionar e protestar."

José Eduardo Belmonte, cineasta:

"Está tudo tão errado e confuso no país que é dificil analisar qualquer coisa de forma localizada. Só da minha área, a história está acontecendo na nossa frente em uma velocidade que nunca vi. É preciso estar que nem aquela música do Caetano: atento e forte. O que acho íncrivel nessa 'volta' da cultura foi mostrar que a mobilização, a organização da classe junto com a sociedade civil deu resultado. Isso me enche de esperança, independentemente de como vai ser o decorrer dos fatos."

Vicente Amorim, cineasta:

"(A volta do Ministério da Cultura) mostra a importância e a força da mobilização. Agora, não adianta voltar um MinC decorativo, sem orçamento e sem continuidade e aprofundamento dos programas. Se voltar com o peso que tem que ter, aí sim, teremos tido uma vitória".

Leia também: 
Marco Feliciano manda recado para artistas que reclamam do fim do MinC: 'Vão procurar trabalho, arrumar o que fazer'; veja


Tata Amaral, cineasta:

"MinC voltou, Dilma também voltará! Não reconheço o governo golpista. Não basta recriar o MinC, é preciso ter orçamento e ter sentido, conceito: vínhamos num caminho de inclusão, de descentralização, de apoio e reconhecimento às diferenças como o incentivo ao cinema e às manifestações culturais e artísticas em todas as partes do país, de todas as raças e gêneros. Convocação de Constituinte exclusiva para discutir a reforma política e eleições diretas já."

José de Abreu, ator, via Twitter:

"Não tenho a menor dúvida que a classe artística vai continuar na luta. Ja sabíamos que o Temer iria recuar".

Paulo Halm, roteirista, via Twitter:

"Nossa pressão funcionou. Temer golpista recuou e vai recriar o MinC. Agora é pressão diária para derrubar o traidor!"

Eduardo Saron, diretor-geral do instituto Itaú Cultural:

"Eu acho um grande feito (a volta do Ministério da Cultura). De qualquer forma, o (Marcelo) aceitou uma tarefa difícil e o (presidente em exercício Michel) Temer resolveu voltar atrás. Foi uma medida inteligente, até para não ficar nessa briga desnecessária".

Veja também: 





O Globo
Editado por Folha Política
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

UOL Cliques / Criteo

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...