segunda-feira, 23 de maio de 2016

Petistas tentam abafar trecho que compromete Lula no vazamento de conversa de Jucá


Imagem: André Coelho / Agência O Globo
A despeito da "gritaria" que tomou conta das redes sociais, em que petistas afirmam que o impeachment teria sido um golpe para os "corruptos" tomarem o poder, não se pode olvidar que o trecho fala, justamente, de proteger - entre outros - o ex-presidente Lula.


O deputado Paulo Pimenta, por exemplo, afirma: “Tanto na Câmara como no Senado, o processo de impeachment foi um processo movido pelos interesses de uma organização criminosa com forte ramificação no Congresso Nacional e que única e exclusivamente agiu para proteger os envolvidos na corrupção, para salvar os principais interlocutores dessa organização”.

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Jaques Wagner vai na mesma linha:  para ele, as gravações “não deixam margem para dúvida: o impeachment só foi levado adiante porque a cúpula do PMDB temia o avanço das investigações da Operação Lava-Jato. Não era para combater a corrupção que eles queriam tirar Dilma. Era justamente para permitir que os malfeitos continuassem ocorrendo livremente”.

Mas os trechos transcritos mostram a tentativa de se proteger justamente o ex-presidente Lula, mesmo que para isso fosse necessário afastar Dilma: 

JUCÁ – [Em voz baixa] Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’. Entendeu? Então… Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.
MACHADO – Eu acho o seguinte, a saída [para Dilma] é ou licença ou renúncia. A licença é mais suave. O Michel forma um governo de união nacional, faz um grande acordo, protege o Lula, protege todo mundo. Esse país volta à calma, ninguém aguenta mais. Essa cagada desses procuradores de São Paulo ajudou muito. [referência possível ao pedido de prisão de Lula pelo Ministério Público de SP e à condução coercitiva ele para depor no caso da Lava jato]

Não se pode ignorar, ademais, que Jucá foi imediatamente afastado - o que não ocorreu com Mercadante, cuja atuação para obstruir a Lava Jato também foi registrada em áudio. Mercadante continuou no ministério até o afastamento de Dilma.

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Luciana Camargo
Folha Política
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