quinta-feira, 26 de maio de 2016

Venezuela reajusta preços em mais de 1000% e transfere 100 toneladas de ouro para Suíça


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Em forte crise, o governo do presidente Nicolás Maduro aumentou na última terça-feira (24) o preço de pelo menos três produtos básicos da dieta dos venezuelanos, o que deve elevar ainda mais a inflação no país, que deve chegar a 720% este ano, segundo dados do FMI (Fundo Monetário Internacional).

Segundo o Sundde (Superintendência Nacional para a Defesa dos Direitos Socioeconômicos), a farinha de milho branca subiu 1000%: de 19 para 190 bolívares, conforme destaca o jornal O Estado de S. Paulo, ressaltando que o produto é um dos mais escassos nos mercados formais e informais do país. Já o quilo do frango - uma das fontes de proteína mais baratas para a população - subiu 1.208%: de 65 bolívares para 850.


O cenário na Venezuela é de forte instabilidade política e econômica. Empresas privadas acusam o governo de cortar acesso dos produtores a dólares para importação por conta das pequenas reservas de moeda forte do país, enquanto o governo diz que os produtores deixam de fabricar alimentos e remédios de propósito para derrubar o presidente venezuelano.

Outra matéria, desta vez do Valor Econômico, ressalta outro sintoma da forte crise do país. A Venezuela já transferiu mais de 100 toneladas de suas reservas de ouro para a Suíça, valendo US$ 3,5 bilhões; a estimativa é que atualmente 25% do ouro da Venezuela esteja depositado na Suíça, país no qual são negociados 80% do metal globalmente. Segundo o jornal, existe a especulação de que a Venezuela possa ter feito um acordo para pegar dinheiro emprestado em banco suíço, dando parte do ouro como garantia. Especialistas que acompanham o mercado de ouro dizem que ''desapareceram'' 61 toneladas do estoque da Venezuela somente em 2015.

Dificuldades no país


Na última terça-feira, a empresa que produz a Coca-Cola na Venezuela informou que se esgotaram os estoques de açúcar refinado para uso industrial e que interrompeu temporariamente a produção de refrigerantes que contêm esse ingrediente.

“A falta de açúcar implica a interrupção temporária das linhas de bebidas elaboradas com esta matéria-prima. Se mantém em operação as linhas de produtos sem açúcar, tais como água e coca-cola light”, diz um comunicado da empresa. Na mesma nota, a empresa diz que foi informada de que está prevista, “no curto prazo", a recuperação dos estoques de açúcar no país. A empresa mexicana Coca-Cola Femsa está na Venezuela desde 2003, quando comprou a produtora de bebidas Panamerican Beverages Inc (Panamco) e tem ainda presença em outros países da região como a Argentina, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, o México, Brasil e Panamá.

Na Venezuela há fábricas em várias cidades que empregam mais de 7 mil trabalhadores. O país passa atualmente por uma grave crise de escassez e falta de fornecimento de produtos básicos.

São cada vez mais frequentes as queixas de venezuelanos, cidadãos e fabricantes sobre dificuldades para conseguir, no mercado local, alguns produtos como açúcar, leite, farinha, arroz, macarrão, margarina, café, entre outros. Os empresários queixam-se também de dificuldades no acesso a divisas para efetuar as importações, na sequência do férreo sistema de controlo cambial que vigora desde 2003 no país.

O sistema de controle cambial impede a compra livre de moeda estrangeira e obriga os importadores a recorrerem às autoridades para conseguir autorizações de acesso aos dólares necessários para importar, um processo segundo os empresários é também muio demorado.

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Lara Rizério
Infomoney
Editado por Folha Política
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