segunda-feira, 27 de junho de 2016

Dilma admite que não há planos para um plebiscito caso ela volte ao poder


Imagem: Wilton Junior / Estadão
A presidente afastada, Dilma Rousseff, afirmou que pretende fazer um "governo de transição" caso não seja condenada no processo de impeachment no Senado. Em entrevista ao portal Agência Pública, publicada nesta segunda-feira, 27, Dilma diz que teria um governo de dois anos, até 2018, para garantir a "qualidade da democracia no Brasil".

Questionada sobre sua promessa de chamar um plebiscito para a convocação imediata de novas eleições presidenciais, Dilma desconversou. "Não, não. Está em discussão isso. Não há um consenso. É uma das coisas, uma das propostas colocadas na mesa."

Leia também: 

Dilma afirma que precisaria recompor seu apoio no Congresso e que tentaria combater o presidencialismo de coalizão. Sem citar o PMDB ou o presidente interino, Michel Temer, diretamente na resposta, a petista diz que mudaria suas alianças. "Não tem mais como recompor", disse.

A presidente afastada reforça a tese de que sofre um "golpe parlamentar" e diz não saber ainda se irá pessoalmente ao Senado para se defender no processo de impeachment. Dilma repete ainda que o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é o homem por trás da gestão de Michel Temer.

'Endireitou'. A presidente critica o processo por qual passa o País, em que pautas de direita ganham força. Dilma acusa o PSDB, partido que contrapôs o PT nos últimos anos, de cometer um "gravíssimo equívoco político".

"Primeiro perdeu a cara porque endireitou. Mas endireitou não só do ponto de vista dos projetos econômicos ou políticos. Endireitou do ponto de vista dos valores. Se misturou no movimento e deu força a ele. E estimulou, organizou e propôs um movimento que era baseado em algumas questões inadmissíveis. Como é que [o PSDB] se mistura com um [movimento] que defende o golpe militar? Como é que é possível tratar de uma situação em que os direitos individuais e coletivos mais básicos são desrespeitados?", questionou.

Odebrecht. Dilma classificou de "estarrecedor" o questionamento das entrevistadoras sobre informações vazadas do processo de delação de Marcelo Odebrecht. "Acho estarrecedor me perguntar sobre o Marcelo Odebrecht, que nem concluiu a sua delação premiada. Tirante a hipótese de que o seu jornal - e aqui eu vou engrossar - tenha uma escuta dentro da cela, ou do lugar onde ele está fazendo a delação, vocês não têm o direito de me perguntar nada", afirmou ao reclamar do "uso político das investigações da Lava Jato".

Se as notícias envolvendo a delação do empresário impactarem suas chances no impeachment, Dilma disse que não. "Estou em um nível de vacinação absoluta contra isso." Segundo informações veiculadas na imprensa, em sua delação premiada, Odebrecht deve admitir que controlava pessoalmente repasses de caixa dois para as campanhas presidenciais da presidente afastada.

'Espontânea pressionada'. Ao falar sobre o processo que a levou a ser candidata presidencial em 2010, Dilma disse que houve um peso na proposta de Lula pelo fato que ela seria a primeira presidente mulher do País, mas que esse não foi o principal fator. Dilma admitiu que não tinha pretensão de ser presidente da República, mas que não poderia negar a indicação. "É assim quase público e notório que eu não tinha a menor pretensão de ser presidenta, tampouco de concorrer a nenhum cargo eletivo naquele então. Foi assim uma coisa 'espontânea muito pressionada'", resumiu.

Veja também: 

 



 


Ana Fernandes 
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

UOL Cliques / Criteo

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...