terça-feira, 21 de junho de 2016

Doleira presa com 200 mil euros na calcinha fecha delação premiada e sai da cadeia


Imagem: Geraldo Bubniak / AGB
Depois de dois anos atrás das grades, de rebolar e cantar Roberto Carlos, em rede nacional durante interrogatório da CPI da Petrobrás, a doleira Nelma Kodama voltou nesta segunda-feira, 20, para sua casa, em São Paulo. Conhecida como a “Dama do Mercado”, ela fechou acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato, deixou a carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, e colocou uma tornozeleira eletrônica.

Figura emblemática do escândalo Petrobrás, Nelma foi presa em 15 de março de 2014 tentando embarcar para a Itália com 200 mil euros escondidos na calcinha. Foi condenada meses depois a 18 anos de prisão pelo juiz federal Sérgio Moro, pela lavagem de R$ 221 milhões. Em dois anos, ela teria enviado para o exterior U$S 5,2 milhões por meio de 91 operações de câmbio irregulares. Ela anunciou publicamente, em maio de 2015, que faria delação.

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“Eu sou doleira, comprava e vendia moedas no mercado negro. E isso vai constar no termo de colaboração que estou firmando”, afirmou a doleira, em abril de 2015, quando deputados da CPI da Petrobrás visitaram Curitiba para ouvir os alvos presos da Lava Jato.

Ex-namorada do doleiro Alberto Youssef, figura central da Lava Jato, e de outros doleiros investigados pela Polícia Federal, Nelma cantou trecho de uma música de Roberto Carlos para explicar aos deputados da CPI, no dia 12 de maio, como era sua relação afetiva. “Sob meu ponto de vista, eu vivi maritalmente com Alberto Youssef do ano de 2000 a 2009. Amante é uma palavra que engloba tudo, né? Amante é esposa, amante é amiga”, disse. “Tem até uma música do Roberto Carlos: a amada amante, a amada amante. Não é verdade? Quer coisa mais bonita que ser amante? Você ter uma amante que você pode contar com ela, ser amiga dela.”

Em seguida, a doleira cantarolou ‘Amada Amante’, sucesso do Rei da Jovem Guarda em 1971.

Na mesma audiência, a “Dama do Mercado” negou que tivesse tentado fugir do País, quando foi presa embarcando para a Itália, e explicou que os euros não estavam na calcinha. “O dinheiro estava no bolso e não na calcinha”, disse a doleira, que levantou da cadeira para exibir os bolsos de trás da calça aos parlamentares.

Dolce Vitta. Nelma foi alvo da primeira fase da Lava Jato, que apurava uma quadrilha de doleiros usada pelos familiares do ex-deputado federal José Janene (PP-PR), morto em 2010, para lavar parte dos R$ 4 milhões que ele teria recebido de propinas no mensalão.

Em e-mails e mensagens interceptados pela PF, Nelma gostava de usar pseudônimos como Greta Garbo, Cameron Diaz e Angelina Jolie. A operação que a tinha como alvo foi batizada de Dolce Vitta.

Em depoimento prestado à Lava Jato no dia 1.º de setembro de 2014, a “Dama do Mercado” afirmou que queria revelar toda a verdade porque era uma mulher com os dias contados para morrer. Ela se diz doente e afirma que passou por 20 cirurgias nos últimos anos.

As revelações da doleira podem abrir os focos de investigação da Lava Jato. Nelma confessou que fazia operações de câmbio para comerciantes da 25 de Março, principal centro de comércio informal de São Paulo.

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Julia Affonso, Fausto Macedo,
 Mateus Coutinho e Ricardo Brandt
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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