quinta-feira, 16 de junho de 2016

Empresário confirma US$ 4,5 milhões em propina para campanha de Dilma, paga a João Santana no exterior


Imagem: Reprodução / Facebook
O empresário Augusto Mendonça Neto, do grupo Setal, confirmou em depoimento ao juiz Sérgio Moro que o engenheiro Zwi Skornicki foi usado para repassar propina para a diretoria de Serviços da Petrobras, comandada pelo PT, em pelo menos dois contratos de fornecimento de plataforma fechados pelo consórcio Fels Setal/Technip, a P-51 e a P-52, por cerca de US$ 1,6 bilhão. Zwi Skornicki responde por corrupção e lavagem de dinheiro por ter repassado U$ 4,5 milhões (R$ 15,2 milhões) a uma conta do publicitário João Santana na Suíça, não declarada no Brasil.


Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, Mendonça Neto afirmou que o acerto da propina foi feito com o então gerente da Petrobras Pedro Barusco e correspondia a 2% do valor do contrato - cada um deles no valor de US$ 800 milhões. Segundo ele, Zwi ficaria com 1% do valor da propina e 1% seria repassada à diretoria de Serviços da Petrobras - o que corresponde a US$ 16 milhões para cada uma das partes.

Leia também: 

Segundo antecipou o GLOBO, Skornicki, que também fechou acordo de delação, afirmou à força-tarefa da Lava-Jato que o então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, lhe pediu US$ 4,5 milhões para ajudar a financiar a campanha pela reeleição de Dilma Rousseff em 2014 e que o pagamento foi feito diretamente a Santana. O publicitário também foi o responsável pela campanha de Dilma em 2010 e pela do ex-presidente Lula em 2006.

Mendonça Neto explicou que era sócio do do estaleiro Fels Setal quando os dois contratos das plataformas foram fechados, entre 2003 e 2004. Ao juiz, ele disse que não sabe como os pagamentos foram feitos por Zwi Skornicki à diretoria de Serviços e se teve repasse para o PT, pois deixou a sociedade em 2005.

O empresário contou que o estaleiro fechou um contrato com uma empresa de Zwi Skornicki para repassar a propina. Na época, Zwi era representante comercial do estaleiro e não prestava qualquer serviço na área técnica.

— Ele fazia os contatos com a Petrobras e acompanhava as propostas. Tinha algum entendimento técnico, mas a atuação dele na área técnica não era relevante — disse Mendonça Neto.

Mendonça afirmou que, depois que desfez a sociedade com o estaleiro, a Petrobras fechou mais um contrato para a plataforma P-56 nas mesmas bases dos dois primeiros, por similaridade — o contrato da P-56 foi de US$ 1,6 bilhão.

Segundo o empresário, não havia combinação de preços nas licitações para as plataformas, mas que o estaleiro teve de negociar com Barusco para conseguir fornecer as duas primeiras plataformas, pois não tinha condições de produzi-las simultaneamente. A Petrobras acabou permitindo uma diferença no prazo de seis meses.

Veja também: 

 
 
 
 
 

Cleide Carvalho
O Globo
Editado por Folha Política
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

UOL Cliques / Criteo

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...