terça-feira, 21 de junho de 2016

Jair Bolsonaro é vítima de fascismo censório em ação no STF, diz colunista


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O colunista Luciano Ayan, no site Ceticismo Político, denuncia a arbitrariedade do STF ao aceitar denúncia contra o deputado Jair Messias Bolsonaro, por ter dito que a deputada Maria do Rosário não merece ser estuprada. Para Ayan, "o que o STF fez hoje está abaixo da crítica moral. Foi imundo, repelente, nojento, fascista e anticivilizacional". 

Leia abaixo o texto de Luciano Ayan: 

É uma pena que Jair Bolsonaro defenda os “áureos tempos do regime militar”, pois hoje ele foi vítima de uma outra ditadura: a do fascismo cultural, também conhecido como politicamente correto.
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Discordo de vários posicionamentos do deputado. Mas o que o STF fez hoje está abaixo da crítica moral. Foi imundo, repelente, nojento, fascista e anticivilizacional. Permitir que uma pessoa seja processada até no STF mesmo sem ter cometido qualquer crime é atitude claramente autoritária. Hoje, o STF agiu como os juízes de Maduro na Venezuela. Leia mais, a partir da matéria do Globo, cujo ótimo título – Bolsonaro vira réu por falar que Maria do Rosário não merece ser estuprada – mostra a bizarrice cometida pela Corte Bolivariana:

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (21) abrir duas ações penais contra o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Com a decisão, o deputado se torna réu na Corte pela suposta prática de apologia ao crime e por injúria.
Em 2014, Bolsonaro afirmou, na Câmara e em entrevista a jornal, que a deputada Maria do Rosário (PT-RS) não merecia ser estuprada porque ele a considera “muito feia” e porque ela “não faz” seu “tipo”. 

Veja vídeo: 


Ao analisar denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) e queixa da própria deputada, a Primeira Turma da Corte entendeu, por quatro votos a um, que além de incitar a prática do estupro, Bolsonaro ofendeu a honra da colega. Somente o ministro Marco Aurélio Mello foi contra a abertura das ações penais. Os ministros Luiz Fux, Edson Fachin, Rosa Weber e Luiz Roberto Barroso votaram favor de que Bolsonaro se torne réu.
A declaração de Bolsonaro que motivou a denúncia foi feita após discurso de Maria do Rosário em defesa das vítimas da ditadura militar (1964-1985). Bolsonaro, que é militar da reserva, subiu à tribuna da Câmara para criticar a fala da deputada.
Quando Maria do Rosário deixava o plenário, Bolsonaro falou: “Fica aí, Maria do Rosário, fica. Há poucos dias, tu me chamou de estuprador, […] e eu falei que não ia estuprar você porque você não merece. Fica aqui pra ouvir”, disse o parlamentar, repetindo o que havia dito a ela em 2003, em discussão na Câmara.
Será que Fux, Fachin, Weber e Barroso não tem vergonha da monstruosidade que cometeram?
Abordei esse caso em meu livro “Liberdade ou Morte”. Ali já abordava a ocasião em que a primeira denúncia dissimulada – feita por Maria do Rosário – foi lançada no mercado de ideias. Desde quando escrevi aquelas páginas já antevia o jogo inacreditavelmente sujo lançado contra Bolsonaro. Algo totalmente baseado em encenação e seletivismo sórdido.
Não há nenhuma razão para ele ser punido. A ação de Maria do Rosário é claramente litigância de má-fé. Não é por discordar de Bolsonaro que devemos aceitar esse recuo anticivilizacional. Nenhuma pessoa merece receber uma punição judicial sem qualquer razão. O aceite da ação contra Bolsonaro pelo STF é algo puramente político. Não existe nenhuma lei que transforme em crime uma afirmação dizendo que “nenhuma mulher pode ser estuprada”. Qualquer punição a Bolsonaro será arbitrária e ilegítima.
Agora cabe aos fãs de Bolsonaro – e eles existem em grande quantidade – protestarem em relação a esse absurdo. Caso contrário, as próximas vítimas desse tipo de ditadura podem ser eles. Ou até mesmo nós. Hoje é um dia em que a liberdade de expressão sangrou. O STF fica manchado de vergonha por ter aceito uma ação tão indevida e imoral.

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Luciana Camargo
Folha Política
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