quarta-feira, 6 de julho de 2016

Bumlai dá depoimento secreto à Lava Jato sobre Instituto Lula


Imagem: Gabriela Bilo / Estadão
O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez um depoimento secreto à Operação Lava Jato. Investigadores quiseram saber do pecuarista se ele participou da aquisição do terreno e das obras da sede do Instituto Lula, em São Paulo.  As perguntas da força-tarefa a Bumlai envolveram também a empreiteira Odebrecht.

O conteúdo do novo depoimento do amigo de Lula está sendo mantido sob sigilo pelo juiz Sérgio Moro, a pedido da Polícia Federal, ‘para preservar a eficácia das investigações’.

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Bumlai foi preso na Operação Passe Livre, 21ª fase da Lava Jato, em 24 de novembro do ano passado. Em março deste ano, Moro autorizou prisão domiciliar por três meses – monitorado com tornozeleira eletrônica -, para o amigo de Lula. O pecuarista, de 71 anos, foi diagnosticado com câncer na bexiga.



O conteúdo secreto do novo depoimento de Bumlai não tem relação com o emblemático empréstimo de R$ 12 milhões junto ao Banco Schahin – valor tomado pelo pecuarista em outubro de 2004 e que teria sido destinado ao PT. A dívida é alvo de ação penal na qual Bumlai é réu por corrupção e gestão fraudulenta (Lei do Colarinho Branco). O filho do pecuarista Mauricio Bumlai também é acusado no caso.

Em despacho anexado aos autos em 20 de junho, o juiz Moro afirmou que o sigilo não prejudica as defesas no processo sobre o empréstimo de R$ 12 milhões, pois os fatos descritos no novo depoimento ‘não dizem respeito à ação penal’.

“A autoridade policial anexou novo termo de depoimento prestado por José Carlos Bumlai, cujo conteúdo requereu fosse mantido em sigilo, à exceção da defesa do próprio investigado, para preservar a eficácia das investigações. Mantenho, assim, sigilo nível 2 sobre a documentação, já que talvez necessário para não prejudicar as investigações a serem realizadas”, determinou Moro.

O magistrado ordenou o acesso exclusivo à defesa de Bumlai sobre o depoimento, ‘evidentemente sem prejuízo do acesso pelo Ministério Público Federal’. “Considerando que este inquérito já instrui a ação penal, deverá a autoridade policial prosseguir nas investigações pendentes, sobre fatos ainda não denunciados, em novos inquéritos, encerrando este a fim de evitar confusão”, decidiu Sérgio Moro.

Sítio. Bumlai também é peça-chave na investigação sobre o Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), que seria de Lula, segundo suspeita a Lava Jato, mas registrado em nome de amigos. O imóvel passou por ampla reforma em 2011 que envolveu Bumlai, Odebrecht e a OAS – outra empreiteira do cartel que fatiava obras e pagava propinas milionárias na Petrobrás.

O Estadão apurou que Bumlai não fechou acordo de delação premiada, mas tem buscado adotar uma postura colaborativa com as investigações da Lava Jato.

O Instituto Lula, por meio de sua assessoria de imprensa, tem negado qualquer irregularidade.

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Ricardo Brandt, Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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