terça-feira, 26 de julho de 2016

'É nossa última chance. Ou enfrentamos agora, ou seremos engolidos por corruptos que querem se perpetuar no poder', afirma Janaína Paschoal


Imagem: Reprodução
A professora doutora Janaína Conceição Paschoal, autora do pedido de impeachment de Dilma, concedeu entrevista exclusiva à Folha Política. A jurista comenta o processo que entra agora em sua fase final. 



Leia abaixo a entrevista: 


Folha Política: Muitas personalidades têm manifestado o receio de uma reversão no impeachment. A senhora acredita que há chances concretas de a presidente afastada Dilma Rousseff voltar ao poder?

Janaína Paschoal: Além de denunciante, eu sou também advogada na causa. Por força do Código de Ética da Advocacia, não posso fazer previsões sobre o resultado do processo. O que posso garantir é que a prova está muito forte, tanto dos empréstimos proibidos, como das maquiagens das contas públicas e dos decretos. Vale lembrar que o Petrolão também integrou a denúncia e, a cada dia, a presidente afastada se mostra mais envolvida, vide os recentes depoimentos do marqueteiro e de sua esposa. 

Folha Política: Como a população pode ajudar a mudar o estado atual da política brasileira?

Janaína Paschoal: A população precisa se envolver mais, cobrar mais e parar de acreditar que a corrupção faz parte da política. O que ocorre no Brasil não ocorre no resto do mundo. Os valores desviados são astronômicos e a falta de vergonha é constrangedora. Eles são pegos em flagrante e não se importam, simplesmente contam com a certeza da impunidade. 


Folha Política: Com a saída de Dilma Rousseff, o PT realmente sairá do poder?

Janaína Paschoal: Acredito que muitos políticos têm a esperança de que, tirando Dilma, as pessoas vão se contentar. Mas isso não é verdade; queremos um país diferente. O PT não tem como se desvencilhar de toda a lama que está aí, escancarada.


Folha Política: Muito se fala a respeito do aparelhamento de instituições por parte do PT. A senhora acredita que este processo existiu? Em caso positivo, em que grau e quais foram as instituições mais afetadas?

Janaína Paschoal: O PT não funciona com fulcro na competência, mas sim com base no companheirismo. O que importa é ser parceiro. Veja o que ocorreu nas agências reguladoras, veja o descalabro referente à lei Rouanet.


Folha Política: Gerou polêmica a recente ação do STF quanto aos bonecos infláveis satíricos de Janot e Lewandowski. Qual é a opinião da senhora a respeito tanto dos bonecos quanto desta reação?

Janaína Paschoal: É difícil para a pessoa criticada conviver com as críticas, mas penso que isso é consequência da função pública. Vejo os bonecos como charges tridimensionais. Se é lícito fazer charge de Jesus, Moisés, Maomé e Nossa Senhora, não vejo porque seria criminoso fazer um boneco de um ser humano, por mais honesto que seja. Recentemente, fui retratada em uma charge bastante pesada e não me ocorreu processar criminalmente o autor. Penso que os excessos devem ser tratados no âmbito civil. Compreendo o ressentimento de quem é retratado, mediante as charges e os bonecos, mas não vejo crime na situação. 

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Folha Política: Muitos defensores do governo tentam desqualificar o trabalho da senhora alegando que haveria pretensões político-partidárias e de promoção pessoal na sua atuação pelo impeachment e pelo Brasil. Qual é a sua resposta a essas pessoas?

Janaína Paschoal: Essas pessoas estão acostumadas a negociar, elas não sabem lidar com alguém que não quer nada para si. Pessoalmente, eu só perdi com este processo, mas o Brasil ganhou muito. Os brasileiros estão recuperando a esperança, isso vale todo o meu esforço. 



Folha Política: Alguns senadores, sobretudo o senador Lindbergh Farias (PT) e a senadora Gleisi Hoffmann (PT), tentaram desqualificar o seu trabalho de todas as formas. Como a senhora avalia este caso e que resposta tem para dar a eles?
Janaína Paschoal: Infelizmente, esses parlamentares sofrem sérias acusações de desvio de dinheiro da Petrobras. Atacar é a única forma que encontram para se defender. Eles são parte de tudo o que a população não quer mais para a nação.


Folha Política: Circulam nas redes sociais vídeos de defensores do governo a hostilizando tanto no seu local de trabalho quanto no Aeroporto de Brasília. Como a senhora tem lidado com esse tipo de agressão? Como sua família lida com isso?
Janaína Paschoal: Eu lido bem com a crítica, mas aquele dia, no aeroporto, o caso ultrapassou o direito à manifestação. Eles só não me agrediram fisicamente porque passageiros me defenderam. Depois, o PT propagou o vídeo, elogiando a ação, em sua página oficial. De certa forma, instigou a repetição. Vi que alguns dos sujeitos que foram identificados têm passagem pela polícia e são ligados a instituições que apóiam o PT. Aquela ação não foi uma coincidência. A família, claro, sofre. Alguns não entendem porque estou aceitando passar por tudo isso. Mas eu acredito que esta é nossa última chance para não acabar como a Venezuela. O grau de corrupção e de crime organizado, no Brasil, ultrapassou todos os limites do razoável. Ou enfrentamos agora, ou seremos engolidos por aqueles que querem se perpetuar no poder, a qualquer custo. Por isso, sangraram o dinheiro público e falsearam as contas públicas. É muito grave.



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