quarta-feira, 13 de julho de 2016

Lula compara procuradores e policiais da Lava Jato a carrapatos


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Em entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco, em Petrolina, nesta terça-feira, 12, o ex-presidente Lula comparou as investigações da Operação Lava Jato sobre ele com um "carrapato" que o incomoda e afirmou ainda que "derrotar o impeachment, hoje é mais fácil do que antes".

"Todo dia alguém diz que vai falar o nome do Lula. Estão há dois anos investigando e duvido que se ache um empresário a quem eu pedi R$ 10", disse. Questionado se as investigações o incomodam, o petista respondeu: “Dizer que não incomoda seria mentira da minha parte. Isso incomoda como uma coceira. Já teve carrapato?”, ironizou.

“Eu já fui prestar depoimento sobre as minhas viagens, sobre medida provisória, sobre depoimento do Delcídio. Acho muitas das perguntas insólitas, mas eu sou um cidadão igual a qualquer um. Eu não estou acima da lei, se eles acham que houve algum problema eles têm que investigar. Fiquei muito ofendido quando invadiram a minha casa, mas tudo bem".

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Questionado se ainda haveria tempo para reverter o impeachment, o petista não escondeu o otimismo. “Eu acho que hoje, para derrotar o impeachment é mais fácil do que antes. Porque antes você tinha Câmara – que é praticamente incontrolável. Depois você tinha a admissibilidade. Agora, a Dilma está dependendo de seis votos. Ou seja, são seis senadores apenas que podem mudar o destino do País, devolvendo para a Dilma o mandato popular que o povo deu a ela, e portanto, somente o povo deveria tirá-la, ou até o Congresso, se ela tivesse cometido um crime. Como não há um crime factível, comprovado cometido por ela, pressupõem-se que a decisão é eminentemente política”.

Lula disse ainda que “se sente extremamente triste pela maneira como aconteceu (o impeachment) e que a presidente afastada não merecia o tratamento recebido”. "Jamais imaginei que a Dilma fosse sair daquele jeito do governo. Eu não queria ter vivido aquele momento", destacou para em seguida defendera correligionária. "Dilma foi vítima de um mau humor que contaminou o Brasil desde 2013. Pegaram a presidenta numa situação de baixa popularidade e aí a maioria (de parlamentares) resolve destituí-la. A falta de base parlamentar não é motivo para destituí-la. Não é porque ela está com baixa popularidade que você pode afastar. No presidencialismo não é assim”, condenou.

Na avaliação do petista, Dilma começou a perder apoio quando quebrou a promessa de não mexer no bolso do trabalhador. "Ninguém se conformou de Dilma ter dito durante a campanha que não ia mexer no bolso do trabalhador e depois ela ter colocado em prática um programa que era do adversário. Ela já tinha feito reuniões com os sindicatos, mas foi anunciado um pacote que jogou os sindicalistas contra ela".

O ex-presidente disse ainda que o País está vivendo uma fase de pessimismo generalizado. "Em dezembro de 2014 o Brasil chegou a 4,3% de desemprego, é uma coisa de primeiro mundo, mas de repente a coisa desandou. Houve uma mistura de coisas equivocadas na economia para evitar que a presidenta governasse. Agora precisamos parar para consertar, primeiro evitando esse falso impeachment que inventaram para a Dilma".

Sobre uma possível candidatura à Presidência em 2018, Lula afirmou que “se o Brasil der certo” não vai concorrer. “Se tudo estiver bem, se der certo, porque eu precisaria ser presidente outra vez?". O petista ainda brincou ao dizer que “política é que nem uma boa cachaça, você começa e não quer parar mais”.

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Monica Bernardes
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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