segunda-feira, 4 de julho de 2016

'O povo não quer ela de volta', admite Lula


Imagem: Adriano Machado / Reuters
O PT, especialmente do Senado, e o ex-presidente Lula desistiram da presidente afastada Dilma Rousseff. Isso não significa uma ratificação ao governo interino de Michel Temer, nem o fim dos ataques ao peemedebista, chamado de golpista e traidor pelos petistas, mas a constatação de que um pós-Temer não passa pela conclusão do mandato dela até 2018. “O povo não quer ela de volta”, resignou-se Lula, em conversa relatada por alguns interolocutores há duas semanas, na sede do instituto que leva seu nome, em São Paulo. Por isso, os senadores defendem, cada vez mais, o discurso de novas eleições, em vez do simples retorno da presidente afastada. Essa avaliação vem por diversas formas. A primeira é que o PT e os movimentos sociais não conseguiram incendiar o país após o afastamento de Dilma do poder.  Na quarta-feira, ela apresenta sua defesa na comissão do impeachment no Senado.


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Apesar do aparente sucesso do crowdfunding Catarse, que conseguiu arrecadar mais de R$ 500 mil para garantir as viagens da petista, as ruas não responderam com a mesma intensidade que os dirigentes partidários esperavam. Pesou muito, na visão de alguns interlocutores do partido, a ausência de Lula em diversas manifestações. “Lula está muito baqueado por causa da família. Todos sentem quando familiares são envolvidos em investigações. Mas ele, pessoalmente, ainda não se recuperou totalmente após a pressão que exercida sobre o filho, Luís Cláudio Lula da Silva, na Operação Zelotes”, disse um integrante do partido que acompanha de perto a defesa da presidente.

ARROGANTE Outro incômodo é a postura, considerada arrogante por muitos, de Dilma. Daqui a nove dias, em 12 de julho, ela completará dois meses fora do Palácio do Planalto. Nestes quase 60 dias, em nenhum momento, foi capaz de fazer uma autocrítica sobre os erros cometidos, tanto na política quanto na economia. Sequer conseguiu apresentar uma plataforma mínima de sugestões para tirar o país da crise, caso volte ao poder após a votação do impeachment no Senado, prevista para o fim de agosto.

Os aliados de Dilma admitem que há a dificuldade de ela sequer manter os 22 votos que conseguiu na primeira votação, que aprovou a admissibilidade do processo de impeachment. Eles reclamam que a pressão do Planalto está muito intensa, com a sinalização de cargos, emendas, e apoio nas eleições municipais, como é o caso de Romário (PSB-RJ), que disputará a prefeitura do Rio em outubro e ainda conseguiu emplacar Rosinha da Adefal na Secretaria Nacional das Pessoas com Deficiência Física.

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Paulo de Tarso Lyra
EM
Editado por Folha Política
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