segunda-feira, 11 de julho de 2016

'Por ter sido tesoureiro me põem sob suspeita', reclama Edinho Silva


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Ainda respondendo a processo por conta da Operação Lava Jato, o ex-ministro da Secretaria de Comunicação de Governo Edinho Silva (PT) tenta reorganizar a carreira. Vai disputar a eleição para a prefeitura de Araraquara e sabe o peso que carrega pelo desgaste do PT e pelas investigações sobre o tempo em que foi tesoureiro de campanha de Dilma Rousseff. “É como se fosse impossível ter cumprido a tarefa de maneira correta”, reclama. Crítico, admite que Dilma e o PT cometeram vários erros. “O PT precisa se reconectar com a sociedade”, afirma.
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Veja trechos de entrevista a Marcelo de Moraes:

Futuro do PT

O partido vive o pior momento de sua história. O futuro do PT vai depender da sua capacidade de se reconectar com a sociedade brasileira e de reconhecer os erros que cometeu.

Sistema político

O PT foi incapaz de romper com esse modelo. E o momento da história brasileira mostra que o modelo ruiu e junto o PT. Por ter ganho as últimas quatro eleições, está pagando preço maior.

Voz das ruas

Jamais poderíamos ter aberto mão da agenda de junho de 2013. Tinha que ter sido nossa cartilha para que representássemos o sentimento de mudança.

Erros políticos

Perdemos o centro político. Sempre que isso acontece, a instabilidade é muito grande. A instabilidade levou ao afastamento da presidente.

Mentiras na campanha

Evidentemente que a agenda que o governo propôs aumentou a dispersão na base de apoio. Porque era totalmente contraditória com nossa proposta, que a sociedade escolheu e votou nas eleições.

PMDB

A aliança com o PMDB foi importante para a governabilidade. O que talvez tenha sido erro foi não percebermos a dispersão que estava acontecendo na base de apoio. Quando se percebeu, foi tarde demais.

Lava Jato

Cada vez que denúncias envolviam lideranças importantes, aumentava o ambiente de instabilidade política. Não apenas do PT. Tirando denúncias de enriquecimento pessoal, fica explícita a falência de um modelo de financiamento.

Volta de Dilma

Temos chance de reversão desse quadro. Porque, juridicamente, não tem nada que justifique o afastamento da presidente.

Tesoureiro

Jamais serei tesoureiro de campanha de novo. Fui convidado, já no meio da Lava Jato, a cumprir tarefa como tesoureiro para blindar a campanha da presidente de todo aquele ambiente que já era conhecido. Aceitei como tarefa partidária.

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Sob suspeita

O preço que estou pagando é de ser do PT e ter sido tesoureiro de campanha. Só o fato de ter sido tesoureiro já me põe sob suspeita. É como se fosse impossível cumprir a tarefa que cumpri de forma correta.

Pressões

Qual é a tarefa de um tesoureiro? Pedir recursos. Quem me conhece sabe que sou incapaz de fazer pressão sobre alguém. O que tem contra mim é que pressionei empresários. É uma coisa absurda.

Denúncias

Apareceu que pedi R$ 100 milhões para Andrade Gutierrez. Essa cifra é absurda para se pedir numa campanha. Disseram que pedi dinheiro pelo PMDB. Quando que o PMDB precisaria de mim para arrecadar?

João Santana

Outra acusação é que pedi caixa 2 para João Santana. Firmei contrato com ele de R$ 70 milhões. Se precisava de dinheiro, era só fazer de R$ 75, R$ 80 milhões. Não faz sentido caixa 2.

Ricardo Pessoa

Tenho apenas um inquérito aberto contra mim que é o do Ricardo Pessoa (UTC). O documento diz que pressionei e o próprio Pessoa me isenta no depoimento.

Relação com Vaccari

Falam que tenho divergência com João Vaccari e, por isso, Dilma me chamou para ser tesoureiro. As pessoas não entendem como funciona o PT. Na disputa pela presidência do PT ele não me apoiou. Nem por isso o cara vira inimigo.

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Coluna do Estadão
Editado por Folha Política
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