quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Após declarar voto contra o impeachment, Telmário Mota pode votar pela cassação de Dilma


Imagem: Ag. Senado
Um dos mais ferrenhos integrantes da tropa de choque da presidente afastada Dilma Rousseff, o senador Telmário Mota (PDT-RR) vive um dilema. No domingo elencou uma série de motivos para votar a favor do impeachment, alegando que Dilma não tem condições de retornar ao cargo. No dia de seu depoimento, entretanto, ele subiu a tribuna e declarou voto a favor de Dilma, depois de ser enquadrado pelo presidente do PDT, Carlos Lupi. Mas foi chamado ao Planalto para nova conversa e agora pode novamente votar pela cassação de Dilma.

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— Neste momento estou pensando no Brasil e no meu Estado. Entre a legalidade e a justiça, faça justiça ao seu povo. A sociedade não serve às leis, mas as leis servem à sociedade — disse Telmário agora de manhã ao GLOBO.

Em entrevista ao GLOBO, Telmário argumentou, no domingo, que, para evitar uma crise ainda maior, o melhor para o Brasil e para seu estado é deixar o presidente interino Michel Temer na Presidência pelos próximos dois anos até serem realizadas novas eleições.

Apesar de não ter anunciado oficialmente o voto, Telmário deverá engordar a maioria de votos já declarados para aprovar a cassação definitiva de Dilma.

O senador pedetista não tem aparecido no plenário nessas primeiras sessões do julgamento do impeachment, mas tem tido conversas com ministros do entorno de Temer. Junto com parlamentares do PT e do PCdoB, ele foi um dos que assinaram a representação contra o processo de impeachment. na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Telmário Mota disse que foi para a base do governo porque Roraima é um estado que sobrevive do contracheque e depende de verbas da União. E “se der uma chuva no governo federal, Roraima morre afogada”. Portanto, se Dilma voltar a agravar a crise, seu estado seria muito penalizado.

— Agora eu tenho que pensar no Brasil e no meu estado, não tem jeito! Se Dilma voltar ela tem que governar com o PMDB. Que crise não vai ter? O Brasil vai perder a governabilidade. Então deixa o PMDB que está aí, porque foi quem sempre governou mesmo. Vamos tentar salvar esse país nesses dois anos até ter novas eleições — explicou Telmário.

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O senador pedetista diz que se Dima voltar, ela não tem como governar com o PSDB, com o Democratas e com os demais partidos já agregados ao governo Temer.

— A Dilma vai ter que voltar a governar com o próprio PMDB. Ou seja: lá vem crise de novo, vai voltar tudo que era antes — explicou o senador do PDT.

Mesmo quando foi para a base no governo Dilma, disse Telmário, foi com Temer e com o atual ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que sempre conversou. Disse que nunca conversou com ninguém do PT ou com a própria Dilma.

— Aí veio o processo do impeachment e eu continuei porque entendia ideologicamente que aquilo era um golpe, uma briga partidária e que o PMDB, o partido que lhe dava sustentação, queria tirá-la. O PMDB hoje está governando de joelhos para o PSDB, assim como o PT governava de joelho para o PMDB — disse Telmário.

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Maria Lima
O Globo
Editado por Folha Política
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