quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Associação de Magistrados repudia declarações do ministro Gilmar Mendes


Imagem: Época
O presidente da Associação de Magistrados do Brasil (AMB), João Ricardo Costa, divulgou uma nota para repudiar declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Na terça-feira (23), ele afirmou que instituições do Poder Judiciário se aproveitam de autonomia financeira e administrativa para fazer “seu pequeno assalto”. Mendes disse que integrantes da Justiça acabam ganhando mais que os ministros do STF, o que não é permitido porque os salários dos magistrados da Corte têm de ser os mais altos do serviço público.


Costa, na nota, diz: “Não serão aceitas manifestações deselegantes e afrontosas, ainda mais feitas por integrantes do Judiciário que não iniciaram a carreira na primeira instância [Gilmar Mendes ingressou no mundo jurídico pelo Ministério Público], em comarcas de dificil acesso e sujeitas a toda uma série de limitações, inclusive a terem seus foros incendiados, como ocorreu há poucos dias no interior de Goiás”. Em outro trecho, a associação afirma defender um outro tipo de magistratura, “que não antecipa julgamento de processo, que não adota orientação partidária, que não exerce atividades empresariais, que respeita as instituições e que recebe somente remuneração oriunda do Estado, acrescida da única exceção legal da função do magistério”.

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Leia a íntegra da nota da AMB:

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) repudia as declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes de que as instituições do Poder Judiciário se aproveitam da autonomia administrativa e financeira para fazer “seu pequeno assalto”.
O Judiciário vem sendo atacado e desrespeitado por uma série de iniciativas que visam a enfraquecer a magistratura. O questionamento sobre seus vencimentos é uma consequência desse movimento, uma vez que coloca em dúvida a recomposição parcial dos subsídios, já prevista na Lei Orçamentária de 2016, cuja aprovação se arrasta desde julho de 2015, quando o STF enviou a proposta ao Congresso Nacional.
A AMB considera inadmissível qualquer ataque vindo de autoridades e instituições ligadas ou não ao Poder Judiciário. Não serão aceitas manifestações deselegantes e afrontosas, ainda mais feitas por integrantes do Judiciário que não iniciaram carreira na primeira instância, em comarcas de difícil acesso e sujeitas a toda série de limitações, inclusive a terem seus foros incendiados, como ocorreu há poucos dias em Goiatuba, no interior de Goiás.
Além disso, o ministro esqueceu de dizer que os magistrados possuem limitações legais e constitucionais a que não estão sujeitas outras carreiras do Estado, estando impedidos de ter outras fontes de renda além da remuneração pelo exercício dos seus cargos, que somente pode ser complementada com a dedicação dentro das salas de aula.
É lamentável que um ministro do STF, em período de grave crise no País, milite contra as investigações da Operação Lava Jato, com a intenção de decretar o seu fim, e utilize como pauta a remuneração da magistratura. O ministro defende financiamento empresarial de campanha e busca descredibilizar as propostas anticorrupção que tramitam no Congresso Nacional, ao invés de colaborar para o seu aprimoramento.
Sustentamos outro conceito de magistratura, que não antecipa julgamento de processo, que não adota orientação partidária, que não exerce atividades empresariais, que respeita as instituições e, principalmente, que recebe somente remuneração oriunda do Estado, acrescida da única exceção legal da função do magistério.
Dessa forma, a AMB repudia que autoridades se aproveitem de um momento tão fundamental para a democracia para buscar espaço midiático, desrespeitando as instituições. A entidade reforça que é fundamental, cada vez mais, fortalecer o Judiciário como um órgão que tem atuado fortemente a favor do cidadão brasileiro, prezando sua autonomia e independência funcional.
João Ricardo Costa – Presidente da AMB

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Murilo Ramos
Época
Editado por Folha Política
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