quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Moro explica caso Petrobrás a estudantes: 'Foi como abrir a caixa de Pandora'


Imagem: Reprodução
O juiz responsável pela Operação Lava Jato, Sérgio Moro, explicou, em detalhes, como iniciou e se desenvolveu a investigação que descobriu a corrupção na Petrobrás. Moro falou a alunos de pós-graduação em Direito. “Foi como abrir a caixa de Pandora”, enfatizou. Ele participou da palestra “Democracia, Corrupção e Justiça: diálogos para um país melhor”, promovida pelo Centro Universitário de Brasília (Uniceub), na capital federal, na quarta-feira, dia 10. 


Confira o seu relato da história na íntegra:

Início 

“A operação Lava Jato começou em 17 março de 2014. Inicialmente se investigava  quatro indivíduos que, se acreditava, estavam envolvidos em lavagem de dinheiro. Mas lavagem de dinheiro relacionado especificamente ao mercado de câmbio negro de dólar no Brasil. Então, a polícia federal, no curso dessa investigação,  tropeçou na seguinte prova: um desses indivíduos, suposto lavador profissional,  tinha relações e conexões com um ex-diretor da Petrobrás. A partir daí, o caso foi crescendo e as provas começaram a se avolumar.”

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Siga o dinheiro

“Essas provas foram resultantes de rastreamento financeiro, como quebra de sigilo bancário, fiscal. Literalmente, seguimos a recomendação de um filme sobre o caso Watergate: “siga o dinheiro”.  Até que algumas das pessoas envolvidas resolveram colaborar com a justiça e, nesse momento, foi como se tivessem aberto a caixa de Pandora.”

Corrupção de R$ 6 bilhões

“A Petrobrás tinha, inicialmente, uma política de não reconhecer qualquer problema em seus contratos.  Muito pelo contrário, o discurso era de que a governança corporativa da instituição era algo “maravilhoso”. No entanto, com o passar do tempo, com as provas, a própria Petrobrás reconheceu em seu balanço de 2015, perdas contábeis com corrupção e propina na ordem de R$ 6 bilhões. Um número, efetivamente, muito assustador.

A investigação colheu, então, provas muito significativas de que quatro ex-diretores teriam recebidos, sistematicamente, propinas. Foram todos  condenados e se descobriu as suas contas secretas no exterior com saldos milionários. Algo absolutamente inconsistentes com rendimentos lícitos. Um tinha com conta no Principado de Mônaco, com 20 milhões de euros, outro com conta na Suíça e 23 milhões de euros e um gerente da Petrobrás com saldos de 98 milhões de dólares. Esse último se tornou um colaborador da justiça e devolveu todo o dinheiro à Petrobras.”

Políticos

“Mas não só isso. Parte do esquema criminoso envolvia não só funcionários da Petrobrás, mas agentes públicos e políticos que davam sustentação à permanência desses diretores em seus cargos. Os que perderam o foro privilegiado foram processados em primeira instância e quatro ex-parlamentares foram condenados e julgados.”

Empreiteiras

“Outro resultado importante é que temos 11 sentenças contra dirigentes de poderossas empreiteiras responsáveis pelo pagamento de propinas. Essas empreiteiras se reuniam em cartel e fixavam preferências em licitações. Então, aquela licitação  da Petrobrás que era destinada a colher o melhor preço, estava com o seu objetivo  perdido desde começo. Sem uma concorrência real.”

Moro finalizou chamando a atenção do público para que haja um esforço no sentido de mudanças siginificativas no país. “O que é importante é que esse caso [Lava Jato] não fique apenas nos culpados, nos punidos, mas que isso propicie uma agenda de reformas”.

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Editado por Folha Política
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