quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Tese de doutorado de Mercadante garantia que a Venezuela se tornaria uma nação desenvolvida


Imagem: Reprodução
Aloizio Mercadante Oliva é doutor em Ciência Econômicas pela Unicamp. Na tese apresentada, analisa os oito anos de Governo Lula sob o título de As Bases do Novo Desenvolvimentismo no Brasil. Apenas 6 anos depois, contudo, as 537 páginas soam datadas. Porque o país quebrou seguindo justamente as tais bases do novo desenvolvimentismo petista. E muitas constatações trazidas no texto já se comprovaram equivocadas. Para exemplificar, basta pegar o caso venezuelano.
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Mercadante faz menção direta à Venezuela por 17 oportunidades. Logo de cara, enaltece os valores democráticos do continente, ressalvando o caso que eternizou Hugo Chávez na presidência em 2002:
Com efeito, observa-se, de um lado, que a maior parte dos países latino-americanos vive em regimes democráticos há cerca de duas décadas. Felizmente, foram superados os regimes autoritários e a perspectiva de retrocessos parece ser cada vez mais improvável, embora tenham ocorrido canhestras tentativas de golpes de Estado, na Venezuela e em Honduras, em períodos recentes.
Ainda analisando o continente, meia década antes da imunda eleição que, a duras penas, foi vencida pela oposição venezuelana, o ex-ministro destaca a limpeza das disputas. De quebra, ainda ignora que o próprio Chávez era um militar:
As eleições, de modo geral, têm sido limpas, a imprensa funciona livremente, com problemas pontuais em algumas nações, e a organização partidária evoluiu. Felizmente, as Forças Armadas não exercem mais uma tutela forte sobre o poder civil na maior parte do continente.
Citando Celso Furtado, o petista concordou que o futuro venezuelano era promissor:
Nos próximos dois decênios, a Venezuela poderá ter saltado a barreira que separa subdesenvolvimento de desenvolvimento, sendo quiçá o primeiro país da América Latina a realizar essa façanha, ou terá perdido a sua chance histórica.”

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E defendeu arduamente a entrada dos bolivarianos no Mercosul:
Destaque-se que, nos últimos anos, o incrível crescimento da corrente de comércio Brasil/Venezuela, bem como dos investimentos públicos e privados efetuados em âmbito bilateral, tornam a entrada daquele país no Mercosul algo praticamente inelutável.
Bem antes de o Brasil se unir à Argentina e ao Paraguai para impedir que a ditadura venezuelana presidisse o bloco econômico, o ex-senador destacava a parceria econômica que alimentava com o vizinho do norte:
Não há dúvida de que, no longo prazo, independentemente da evolução da crise mundial, a Venezuela deverá se converter, caso ingresse no Mercosul, em um dos maiores parceiros econômicos e comerciais do Brasil.
E defendeu que o Socialismo do Século XXI estava em dia com as cláusulas democráticas exigidas pelo Protocolo de Ushuaia:
Questionou-se, sobretudo, a compatibilidade entre o regime chavista e a cláusula democrática do Mercosul, instituída pelo Protocolo de Ushuaia. Prevaleceram, porém, o entendimento de que o referido regime não representa ruptura da ordem democrática.
Recentemente, o FMI confirmou que não há país no mundo enfrentando crise econômica maior do que a venezuelana. Mas essa está longe de ser a última vez que Mercadante errou feio ao tentar ditar os rumos da economia.

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Marlos Apyus
Implicante
Editado por Folha Política
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