terça-feira, 30 de agosto de 2016

Vice de Janot renuncia após quebrar sigilo funcional para justificar participação em ato contra Temer


Imagem: Reprodução / Veja
A vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, renunciou hoje, após a divulgação de um vídeo que a mostra participando de uma manifestação contra Temer. No entanto, como é procuradora de carreira, Ela Wiecko permanecerá na PGR mesmo com a exoneração do cargo de vice do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

No começo de agosto, o marido de Ela Wiecko, Manoel Volkmer de Castilho, foi exonerado após a revelação de que ele tinha assinado uma petição de apoio ao ex-presidente Lula, sendo que ele trabalhava no gabinete do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF. 

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Após a divulgação do vídeo do protesto contra Temer, onde Ela Wiecko aparece segurando uma faixa com os dizeres "Fora Temer", a revista Veja entrevistou a procuradora. Em uma das respostas, Wiecko afirmou ter conhecimento de que Temer estaria sendo delatado, quebrando com um dever de sigilo de sua profissão. Após a divulgação da entrevista, Wiecko renunciou ao cargo. 

Veja a entrevista dada por Ela Wiecko à revista Veja:  

Em um vídeo a senhora aparece numa manifestação que chama o processo de impeachment de golpe. O que a senhora pode dizer a respeito?
Eu estava de férias, em um curso como estudante. É isso.

Há quem considere que é difícil dissociar a posição de vice-procuradora geral da República de uma situação como essa.
Eu não posso falar nada? Não posso ter nenhuma liberdade de manifestação? (Isso) é um pouco exagerado, né? E eu fui discreta, eu estava junto (dos manifestantes), não tive nenhum protagonismo maior. Eu estava de férias. (Isso) é um patrulhamento que impede a pessoa de ser o que ela é, de pensar.

A senhora partilha da opinião de que o processo de impeachment é um golpe?
Eu acho que, do ponto de vista político, é um golpe, é um golpe benfeito, dentro daquelas regras. Isso a gente vê todo dia, é parte da política.

Seria, então, um  golpe com participação da Suprema Corte e da própria Procuradoria-Geral da República, da qual a senhora faz parte?
Aí tem que ser uma conversa muito mais comprida.

Mas a senhora vê irregularidades no processo?
Você está me perguntando como procuradora da República ou como cidadã? Eu posso falar até claramente, mas não vou falar por telefone.



A senhora se arrepende de ter participado do ato?
Não, não me arrependo.

Havia outras autoridades ali?
Não. Eu estava ali como estudante, de férias. É um curso de verão, de sociologia jurídica, com o professor Boaventura. Tinha gente de outros países também.

A ideia de fazer a manifestação surgiu na sala de aula?
Eu não fui a organizadora.

Como a senhora recebe a repercussão dessa situação? Isso a constrange dentro do Ministério Público?
Tem muita gente que pensa como eu dentro da instituição. Eu estou incomodada com essas coisas que estão acontecendo no Brasil. Acho que não foi da melhor forma possível. E pelas coisas que a gente sabe do Temer, não me agrada ter o Temer como presidente. Não me agrada mesmo. Ele não está sendo delatado? Eu sei que está. Eu não sei todas as coisas a respeito das delações, mas eu sei que tem delação contra ele. Então, não quero. Mas as coisas estão indo.

O que a senhora pensa do Temer exatamente?
Eu vou cortar a conversa aqui. Se quiser conversar comigo, tem que conversar olho no olho. Não vou ficar falando por telefone.

A senhora pode nos receber?
Vou ver como está minha agenda, porque estou com muitos compromissos. Agora mesmo estou indo para uma sessão no STJ (Superior Tribunal de Justiça). Não sei a que horas vai terminar.

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Luciana Camargo
Folha Política
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