segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Lista da propina da Odebrecht tinha apelidos e valores de R$ 6.000 a R$ 1 milhão; veja


Imagem: Luis Ushirobira / Valor 
Lampadinha, shark, barba negra e serrote. Para descobrir os beneficiários do sofisticado esquema de pagamento de propina da Odebrecht, a Polícia Federal terá de desvendar uma série de códigos de obras e apelidos de políticos, dos governos estaduais, municipais e federais.

O principal caso veio de Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda do governo Lula e Casa Civil de Dilma. Apelidado de “Italiano”, ele foi alvo de uma ordem do juiz Sérgio Moro para bloquear até R$ 128 milhões. Para desvendar a alcunha de Palocci, a PF teve, antes, de descartar o nome de outro ministro da Fazenda da era PT: Guido Mantega. A confusão não era por acaso – Mantega, de fato, é italiano. A resposta só veio quando, num dos e-mails, Mantega e Italiano eram citados como duas pessoas diferentes, no mesmo contexto. Faltava, então, desvendar Italiano. E, para isso, a PF contou com um pouco de sorte. Uma das mensagens citava, além do Italiano, uma pessoa apelidada de Brani. Tratava-se de Branislav Kontic, assessor mais próximo de Palocci. Foi o suficiente para mapear todas as relações de Italiano com a Odebrecht. Era de fato Palocci.

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O vasto material apreendido pela Polícia Federal nos servidores da Odebrecht e divulgados nesta segunda-feira (26), durante a fase Omertà, 35ª da Operação Lava Jato, mostra um esquema detalhado de controle da propina, com informes de cada desembolso pela cúpula da empreiteira.

De um lado, os documentos mostram a preocupação da Odebrecht em manter os nomes sob segredo. Todo político tinha um apelido. Cada obra era codificada. Por outro lado, os valores eram citados abertamente, por e-mail mesmo – um desleixo atípico de uma empreiteira que se deu o trabalho de criar um setor de suborno. Uma das principais mensagens mostrava claramente de que se tratava de propina. Trata-se da explicação do executivo Benedito Júnior ao chefe Marcelo Odebrecht sobre porque pagaria políticos numa obra da OAS. “Somos ocultos, portanto, dentro do acordo que fizemos (não conseguimos ficar dentro do canteiro) a OAS repassa o valor líquido de nossa participação para pagamento de tac e custos políticos”.

A PF descobriu, ainda, que tais valores eram associados à sigla DGI – até agora, um mistério. A partir disso, foi possível constatar uma série de mensagens para tratar de propinas, de valores baixos a pagamentos milionários. Em alguns casos, é possível fazer algum tipo de associação. O “Casa de doido”, por exemplo, aparece com R$ R$ 269.790 para a obra do Maracanã. Há apelidos que a PF já conseguiu desvendar, como ocorrera com Palocci. Americano, por exemplo, era Carlos Wilson, ex-presidente da Infraero morto em 2009. Abaixo, uma lista com os apelidos catalogados pela PF e valores de propina. Registre-se que um mesmo “apelido” pode ter recebido mais de um depósito, o que, posteriormente, será detalhado pelos investigadores.

Veja a lista:

Beija-flor – R$ 98.000
Legislador – R$ 18.000
Operador – R$ 15.412
Orientador – R$ 7.706
Turista – R$ 91.200
Lampadinha – R$ 22.800
Inimigo – R$ 20.000
Voador – R$ 28.000
Dunga – R$ 28.000
Veneza – R$ 37.000
Rio e Baianinho - R$ 8.900
Gordo e Magro - R$ 9.473
Americano – R$ 17.000
Bolinha – R$ 549.252
Shark –  R$ 436.148
Cabeça – R$ 30.000
Casa de Doido – R$ 269.790
Sr Estrela – R$ 1.508.320
Sr Brasileiro – R$ 188.540
Bragança – R$ 188.540
Velhinhos – R$ 286.000
Doce – R$ 100.000
Barba Negra – R$ 100.000
Barba Verde – R$ 20.000
Animal – R$ 29.000
Três – R$ 90.000
Federal – R$ 59.640
Santo – R$ 20.000
Tipografia – R$ 6.000
Serrote – R$ 363.000

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Filipe Coutinho 
Época
Editado por Folha Política
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