sábado, 3 de setembro de 2016

Milicianos do MST agridem venezuelanos que protestavam no Rio contra Maduro


A Venezuela exportou para o Brasil a repressão aos seus próprios cidadãos, que não podem mais protestar pacificamente nem no Rio de janeiro.

Na manhã de quinta-feira, 1, cerca de vinte cidadãos venezuelanos que moram na capital carioca se concentraram em frente ao consulado da Venezuela, no centro. Seis dias antes, eles agendaram por e-mail um encontro com o cônsul-geral, Edgar Alberto González Marín, para entregar um documento pedindo respeito aos prazos do referendo revogatório que pode encurtar o mandato do presidente venezuelano Nicolás Maduro.


Para surpresa dos participantes, eles não só foram impedidos de entrar no prédio como tiveram de dar passagem a um grupo de cerca de dez membros do Movimento Sem Terra (MST), que chegaram com bandeiras vermelhas e camisas com dizeres a favor do chavismo. Agitados, eles chamavam os venezuelanos de fascistas e traidores.

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O grupo do MST subiu ao consulado e desceu do prédio com mais bandeiras e pôsteres, ao lado do cônsul e de outros membros do grupo que já estavam no local antes da chegada dos venezuelanos.

“O cônsul não teve a menor preocupação em esconder que havia usado a representação para receber os mercenários pagos para nos boicotar”, disse a VEJA o venezuelano William Adrian Clavijo Vitto, de 26 anos, um dos organizadores da concentração.

Além de usar um alto-falante para ofender os manifestantes, os homens convocados pelo consulado ameaçaram William pessoalmente. “Um deles me empurrou algumas vezes e disse que sabia que eu morava em Botafogo e estudava na UFRJ, que ainda nos veríamos. São informações que não coloquei em lugar nenhum, está claro que foram fornecidas pelo próprio consulado”, disse.

Policiais no local evitaram agressões. Agora, William responsabiliza o cônsul-geral, Edgar Alberto González Marín, por qualquer atentado contra a integridade física ou qualquer violação dos direitos constitucionais dos cidadãos que estiveram no protesto.

A ligação entre o MST e o governo venezuelano é antiga. Em outubro de 2014, a Polícia Federal prendeu a babá dos filhos do então ministro venezuelano Elías Jaua tentando entrar com um revólver no Brasil. Jaua esteve no Brasil para assinar convênios com o MST na cidade de Guararema, a 80 quilômetros de São Paulo.

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Durante o governo do falecido presidente Hugo Chávez, eram comuns as viagens de integrantes do MST à Venezuela para intercâmbios com organizações chavistas, sempre pagas pelo erário público venezuelano.

 O consulado venezuelano divulgou a seguinte nota em seu site na quinta-feira,  1º:
“Pela manhã, o cônsul-geral do Rio de Janeiro, Edgar Alberto González Marín, recebeu representantes de movimentos sociais e partidos políticos na sede do Consulado Geral do Rio de Janeiro, que vieram demonstrar seu gesto de solidariedade e apoio ao governo legítimo e constitucional do presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, e contra o fascismo golpista e seus aliados internacionais.”
“Nessa oportunidade, além de mensagens de solidariedade, um grupo de percussionistas da União da Juventude Socialista (UJS) cantou frases de apoio ao governo bolivariano.”
“Entre os movimentos sociais e partidos políticos, União da Juventude Socialista, Partido dos Trabalhadores (PT-RJ), Brigadas Populares, SOS Aldeia Maracanã, Jornal Inverte e algumas personalidades”. 

Na quinta-feira, 1º, milhares de venezuelanos tomaram as ruas da capital, Caracas, para reivindicar a realização do referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro ainda neste ano.

No sábado, 3, haverá uma nova manifestação de venezuelanos na Lagoa Rodrigo de Freitas, às 9 da manhã,  na altura da Rua Garcia D`Ávila.


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Nathalia Watkins
Veja
Editado por Folha Política
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