terça-feira, 6 de setembro de 2016

Países que cortaram relações com o Brasil após impeachment devem mais de R$ 20 bilhões ao BNDES


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Empossado definitivamente como presidente, Michel Temer já começa a lidar oficialmente com sua primeira crise diplomática. Ao contrário de nações como Estados Unidos e Argentina, alguns países vizinhos seguem boicotando e não reconhecendo seu novo governo. Em comum, a ligação destes governos com a ex-presidente Dilma Rousseff, que ao longo de seus cinco anos à frente da presidência, manteve grande afinidade ideológica com determinados regimes.


Cuba, Venezuela, Equador e Bolívia retiraram seus embaixadores do Brasil em um gesto de protesto ao novo governo. Como já haviam ameaçado antes, a ditadura caribenha e os demais países do eixo “bolivariano” do continente irão recorrer à corte da Organização dos Estados Americanos e promover uma campanha de denúncia contra o que chamam de golpe.

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As relações brasileiras com os governos auto-denominados de “bolivarianos” vêm de longa data – ao menos desde o início do século, na ascensão de Hugo Chávez à frente da Venezuela e o ex-presidente Lula no Brasil. Para reforçar tais ligações, ambos os presidentes utilizaram-se de uma série extensa de mecanismos, sendo o maior deles o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Através do BNDES, Lula e Chávez formaram uma parceria em uma espécie de imperialismo bolivariano.

A despeito do calote dado pela estatal venezuelana de petróleo, PDVSA, na construção da refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, partiu do governo brasileiro o apoio à concessão de aproximadamente R$ 33 bilhões para apenas 5 países (Cuba, Venezuela, Argentina, Angola e Nicarágua). Destes, apenas a Argentina, sob novo governo, reconheceu a posse de Michel Temer e o impeachment de Dilma Rousseff como constitucionalmente válidos. Em maio, na data de afastamento da ex-presidente, Nicarágua, El Salvador e Uruguai haviam se juntado ao grupo que hoje nega o reconhecimento do atual governo.

Para financiar as obras, o BNDES utilizou-se do chamado “FAT Cambial”, parte do Fundo de Amparo ao Trabalhador, um fundo gerado por parte dos recursos do PIS/PASEP. Segundo O Globo, os financiamentos realizados pelo fundo geraram um prejuízo estimado em R$ 1,1 bilhão anuais (ou R$ 11 bilhões ao todo) aos trabalhadores brasileiros, uma vez que para poder emprestar a juros reduzidos, o BNDES remunera o fundo a taxas abaixo da inflação. Por volta de US$ 8,3 bilhões emprestados pelo banco possuíam juros menores do que 5%.

Dos R$ 50,5 bilhões totais emprestados pelo BNDES para outros países entre 2006 e 2014, cerca de metade foi destinado a países que hoje cortaram relações com o Brasil. Deste valor, 82% teve uma única empresa como responsável pela realização das obras: a empreiteira Odebrecht.

Abaixo listamos algumas das dívidas que estes países ainda possuem com o Brasil.

Venezuela (R$ 11,5 bilhões)
Principal obra: Linhas 3 e 4 do Metrô de Caracas, a capital do país (Odebrecht): US$ 732 milhões

Nicarágua (R$ 4 bilhões)
Principal obra: Hidrelétrica de Tumarín (Queiroz Galvão): US$ 343 milhões

Cuba (R$ 3,5 bilhões)
Principal obra: 
Porto de Mariel (Odebrecht): US$ 682 milhões vindos do BNDES

Equador (R$ 750 milhões)
Principal obra: Hidrelétrica de Mandiracu (Odebrecht): US$ 90 milhões

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Editado por Folha Política
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