sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Pesquisas sobre eleições municipais indicam enfraquecimento do PT


Imagem: Pedro Kirilos / Ag. O Globo
A eleição deste ano poderá se converter no símbolo maior do enfraquecimento político do PT Brasil afora. Pelo cenário de momento, apesar de disputar em 19 das 26 capitais, o PT lidera em Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO), está em segundo lugar em Porto Alegre e Recife e em terceiro em Fortaleza. PSDB e PMDB ainda têm perspectiva eleitoral incerta, uma vez que disputam com chance a maior cidade do país, São Paulo, mas devem ampliar o número de prefeituras que detém hoje. No caso dos peemedebistas, uma grande aposta é na manutenção da prefeitura do Rio, com Pedro Paulo, que ainda cresce nas pesquisas mais lentamente do que o desejado pelo comando de sua campanha. Os tucanos, apostam na conquista de Belo Horizonte, com João Leite, que hoje lidera a disputa local.


Em 20, das 26 capitais, prefeitos tentarão se reeleger. Apenas cinco deles aparecem nas pesquisas com mais de 50% das intenções de voto: a peemedebista Teresa Surita em Boa Vista (RR), ACM Neto (DEM), em Salvador (BA), o petista Marcos Alexandre em Rio Branco (AC), o pedetista Carlos Eduardo (PDT) em Natal (RN) e e Luciano Cartaxo (PSD), em João Pessoa (PB). Outros sete candidatos a reeleição lideram as pesquisas, como o tucano Firmino Filho, em Teresina (PI), Geraldo Júlio (PSB), em Recife (PE), que vem subindo bem nas últimas pesquisas, e o pedetista Roberto Cláudio, em Fortaleza (CE).

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Oito prefeitos enfrentam situação mais difícil, segundo as últimas pesquisas, aparecendo em segundo, terceiro ou mesmo em quarto lugar - caso do petista Fernando Haddad, em São Paulo (SP). Aparecem em terceiro nas pesquisas o tucano Zenaldo Coutinho (Manaus), João Alves (DEM), em Aracajú, Alcides Bernal (PP), em Campo Grande.

Nas eleições deste ano, o PMDB concorre em 16 capitais e, pelos cálculos dos peemedebistas, devem eleger entre seis e oito prefeitos de capital. Além de Boa Vista, onde a candidata tem mais de 70% das intenções de voto, segundo pesquisa do Ibope, o PMDB aposta na disputa em Maceió, Alagoas, estado comandado pelo peemedebista Renan Filho, Goiânia, com Iris Rezende, na ida de Marta Suplicy - neófita no partido, para o segundo turno, Porto Alegre, Cuiabá, Porto Velho, Florianópolis, além de contar ainda com o crescimento de Pedro Paulo, indo ao segundo turno no Rio.

PSDB EM ALTA, PSB EM QUEDA

O PSDB também está otimista. Dos 13 candidatos, os tucanos acreditam que terão chance em Belo Horizonte (MG), com João Leite, em Manaus (AM), com a reeleição de Artur Virgílio Neto, Teresina, Maceió, Campo Grande e que irão ao segundo turno em São Paulo com João Dória. Apostam ainda que as candidaturas em Porto Alegre, com deputado Nelson Marchezan Júnior, e em Recife, com o deputado Daniel Coelho, poderão surpreender.

O PT lançou candidatos em 19 capitais, mas além das duas em que lidera (Rio Branco e Porto Velho), está em empate técnico em Porto Alegre com o candidato do PMDB, aparece em segundo lugar em Recife e em terceiro lugar, em Fortaleza, onde a ex-prefeita Luizianne Lins tenta ser eleita depois de exercer o cargo por dois mandatos, entre 2005 e 2012. Nas demais disputas, o PT figura, segundo as pesquisas com menos de 10% das intenções de voto.

— É claro que a conjuntura atrapalha. Mas nós nunca ganhamos pesquisa, sempre ganhamos eleição — minimiza Florisvalso Souza, secretário de organização do PT.

O PSB, que em 2012 elegeu o cinco prefeitos de capitais, este ano lidera apenas em Recife, com Geraldo Júlio. Seu candidato em Palmas, o atual prefeito Carlos Amastha, aparece em empate técnico com o ex-prefeito Raul Filho (PR). O PDT, que elegeu três prefeitos de capital, lidera em três este ano, mas porque filiou dois novos prefeitos de capital ( São Luís e Fortaleza). O pedetista Gustavo Fruet trava disputa acirrada com o ex-prefeito Rafael Greca (PMN), para reeleger-se em Curitiba (PR). Carlos Eduardo, eleito pelo PDT em 2012, lidera as pesquisas em Natal.

O PSD lidera em João Pessoa (PB) e Campo Grande (MS). O novato PRB, aparece em primeiro lugar em São Paulo, com Celso Russomano e no Rio, com Marcelo Crivella. O pequeno PSOL, lidera em Belém (PA). A Rede, tenta reeleger seu prefeito em Macapá (AP), o PC doB em Aracajú (SE). O Solidariedade lidera em Vitória, com Amaro Neto que aparece nas pesquisas à frente do atual prefeito Luciano Rezende (PPS). O PP disputa a prefeitura de Florianópolis com Angela Amin.

NADA DE ‘EFEITO TEMER’

O presidente nacional do PMDB, senador Romero Jucá (RR), está otimista e ressalta que o PMDB disputa as eleições deste ano com mais de 2,3 mil candidatos a prefeito, 1,7 mil vice-prefeitos e mais de 39 candidatos a vereador.

— Temos hoje duas prefeituras de capital e teremos um crescimento significativo nelas — afirmou o presidente nacional do PMDB. O partido está em um momento de transição, com votos urbanos e rurais em grandes e pequenas cidades. Hoje temos mais de 950 prefeitos e faremos mais de 1.100 — afirmou Jucá.

Para o senador, o presidente Michel Temer dá discurso importante às campanhas, mas não provoca um impacto direto no resultado, porque as eleições municipais não são nacionalizadas. Segundo ele, o eleitor das cidades leva em conta questões locais:

— O Temer, positivamente, é uma referência, mas não é a concretude na ação do voto.

O secretário geral do PSDB, deputado Silvio Torres (SP), comemora o bom resultado das pesquisas para o partido neste momento, mas avalia que há ainda uma grande dose de imprevisibilidade nos resultados.

— A população, os eleitores, ainda estão processando toda a crise e os fatos que se acumulam, a condenação do lula, crise econômica. Tudo isso, de algum modo vai desaguar no resultado. Veremos até onde isso tudo pode mudar os quadros de pesquisa. Não afeta só o PT, afeta os demais também e o efeito pode ser imprevisível. Os eleitores pode dizer: não queremos saber de nenhum político, ou optar por lideranças mais jovens — afirmou Torres.

Em 2012, o PSDB elegeu quatro prefeitos de capital e o tucano acredita que o partido tem chances reais de ampliar esse total nas eleições deste ano, além de também crescer em cidades com mais de 100 mil eleitores. Segundo ele, a disputa muito polarizada em 2014, com o senador Aécio Neves quase sendo eleito, animou a militância:

— O PSDB se estruturou, um efeito da eleição de 2014. Quando bateu na trave, animou novamente a militância e o partido se organizou para disputar as eleições municipais. Isso nos dará base maior não só para disputar a Presidência da República e governos estaduais em 2018, mas também para ampliar a bancada federal.

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Isabel Braga 
O Globo
Editado por Folha Política
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