quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Com a prisão de Cunha, morre a mais importante narrativa petista, explica colunista


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Eric Balbinus, do blog O Reacionário, explica como a prisão de Eduardo Cunha enterra a narrativa petista do "golpe" e da suposta "perseguição" a Lula. Em um texto duro, Balbinus lembra que Cunha não foi preso antes por ter foro privilegiado. Para ele, os que perguntavam constantemente quando Cunha seria preso não estão comemorando, justamente porque perderam sua melhor narrativa. 



Leia abaixo o texto completo: 
Eduardo Cunha foi preso, tal qual na crônica de uma tragédia anunciada. O deputado não conseguiu explicar a conta na Suíça, acabou se indispondo com Dilma Rousseff e com o PT (que ainda estavam ressentidos daquela derrota vergonhosa pela disputa da presidência da Câmara. A conta estava estufada com dólares que seriam provenientes da comissão de Cunha no esquema criminoso da Petrobras. E também de cobrança de propinas oriundas do esquema operado por ele por meio de seu laranja em uma das vice-presidências da Caixa Econômica. Só para lembrar, o cargo operado oficialmente por Fábio Cleto foi um presente dado por Dilma Rousseff. Vieram as megamanifestações, Cunha virou réu, acolheu o impeachment, Dilma foi afastada, Cunha foi suspenso do cargo, Dilma virou ré e foi deposta da presidência. Antigos aliados e amigos felizes, os dois se tornaram arqui-inimigos.
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O que difere Cunha do Partido dos Trabalhadores é a ideologia, já que Cunha não comunga da pregação daquela seita totalitária. Justamente por isso, serviu como espantalho contra o impeachment. Diziam que era golpe contra a democracia, além de um acordão para barrar a Operação Lava Jato. De maneira vergonhosa, formadores de opinião ligados a extrema-esquerda passaram a repetir a versão mentirosa no Brasil e no exterior. Diziam que “o processo não tinha legitimidade por ter sido acolhido por Cunha”. Entre outras coisas.Com o avanço da Lava Jato, o juiz Sérgio Moro também entrou na ciranda das falsas narrativas, sempre encarnando o papel de juiz justiceiro fascista que perseguia o PT. Essa agressão aos fatos se perpetuou até o dia de hoje, com comentários quase que diários sobre o destino do ex-presidente da Câmara. “Mas e o Cunha?”, era o que ouvíamos com frequência.O Cunha não foi preso por Moro antes por ter foro privilegiado, prerrogativa garantida por seu mandato. Hoje há até o debate sobre o fim do foro privilegiado, tese que é combatida com grande convicção por parte da extrema-esquerda. Eles estão temerosos que gente como Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias, Humberto Costa e outros tantos sejam presos com o fim do privilégio. A manutenção do sistema de castas é uma questão de sobrevivência para alguns. No entanto, não há mal que sempre dure. Hoje a narrativa infame morreu. Que golpista mequetrefe é preso pelo próprio acordão criado por ele, que criatura arquiteta algo tão grandioso quanto a derrubada de “uma presidenta legitimamente eleita com 54 milhões de votos” para se safar da cadeia e acaba sem o mandato e sem a liberdade? Se fosse verdade, Cunha poderia ser considerado uma ameba política. Quase uma Dilma Rousseff. É óbvio que não faz sentido. E os petistas sabem. Prova disso é a timidez das comemorações. Todos tem a nítida sensação de que perderam a mais valiosa das narrativas, o mais promissor dos embustes. 
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Verdade seja dita, as narrativas petistas estavam meio em baixa. A surra que o partido tomou nas urnas mostrou que o estelionato da falsa narrativa do golpe não convenceu. O apelo aos 54 milhões de votos também não, visto que nem um milionésimo dos eleitores que votaram em Dilma se dispuseram a defende-la nas ruas. Pelo contrário, muitos engrossaram os protestos por sua saída. 
O jogo virou. Como disse o Roger Roberto em seu blog, é a nossa vez de perguntar sobre a prisão de Dilma e Lula. 
Hoje, 19 de outubro, após ter sido afastado e cassado como deputado federal e depois de ter perdido seus direitos políticos, Eduardo Cunha foi finalmente preso a mando de Sérgio Moro. Então, cabe questionar: Mas e o Lula? Quando Lula será preso? E Dilma, quando é que vão definitivamente unir as provas contra ela e acusá-la de obstrução da justiça também?
A morte da narrativa de Cunha como o “arquiteto do golpe” é o triunfo da verdade, que desta vez não pode ser calada por manobras petistas. Ele irá pagar pelos seus crimes de acordo com o que é determinado pela justiça. Isso não anima os petistas porque o próximo fatalmente será o chefe da organização criminosa, aquele que tentou se reaproximar de Cunha para salvar Dilma. Quando o infame Luis Inácio entrar no camburão da PF, seus sicários estarão completamente humilhados nas ruas. Quem falou em golpe, quem rompeu com amigos, quem bateu boca perguntando de Cunha sente na boca o gosto amargo da derrota e o rubor da humilhação. Aqueles porcos que pensaram ser reis hoje se tornaram mais andrajosos que a Geni do Zepelim. Ainda é pouco para quem quis ver um país inteiro de joelhos para um plano criminoso de poder. Do chorume vieram, ao chorume retornarão. 

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Luciana Camargo
Folha Política
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