sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Dirceu pede a Moro que o liberte porque ele precisa 'tocar a vida'


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Em depoimento ao juiz Sergio Moro nesta sexta (21), o ex-ministro José Dirceu fez um pedido ao magistrado para que responda ao processo em liberdade, a fim de "tocar sua vida" e "trabalhar para sustentar a filha".

"Eu preciso sair para trabalhar, para sustentar minha filha que tem seis anos de idade", pediu Dirceu, ao final da audiência. "Não é crível que alguém acredite que eu vou fugir, que eu vou obstruir a Justiça, na situação que eu estou." Veja o vídeo:


Réu em duas ações na Operação Lava Jato e já condenado em uma delas a 23 anos de prisão, o ex-ministro está preso preventivamente há mais de um ano, desde agosto de 2015.

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"Eu não estou dizendo isso para ter piedade, porque a responsabilidade é minha pelo que aconteceu. Eu estou dizendo isso porque são fatos objetivos. A realidade da minha família é de dificuldade financeira."

Moro respondeu que já decidiu a respeito –negou o pedido de liberdade–, e que cabe às instâncias superiores reverterem a decisão.

A defesa de Dirceu recorreu ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ao STF (Supremo Tribunal Federal), mas ambas as cortes negaram a libertação até aqui. Ainda falta a decisão da corte do Supremo.

AÇÃO DA PETROBRAS

Na Justiça do Paraná, Dirceu é acusado de receber propina da empresa Apolo Tubulars para que ela fosse contratada pela Petrobras, com a intervenção do ex-diretor Renato Duque.

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, foram R$ 7 milhões em propina no total. O ex-ministro teria recebido cerca de 30% do valor.

No depoimento desta sexta, ele negou que tenha interferido em licitações na Petrobras e disse jamais ter solicitado propina a empresários em troca de contratos na estatal.

"Eu estou sendo responsabilizado por um contrato sem nenhuma participação minha ou de minha empresa. Nenhuma. Zero", afirmou. "Eu, realmente, não tenho nada a ver com isso. Na verdade, eu não devia estar aqui, sinceramente. Eu não tenho muito o que dizer."

O ex-ministro reconheceu que recebeu valores da Credencial Construtora –empresa apontada como de fachada pela Procuradoria e considerada a operadora da transação.

Dirceu, porém, diz que o valor foi devido por uma consultoria no Panamá.

"Nós fomos ao Panamá, eu apresentei eles a empresários, ao Presidente da República... Eu prestei meu trabalho e cobrei aquilo que considerei adequado, e eles pagaram."

O ex-ministro afirmou que jamais pediu a Duque qualquer intervenção em contratos ou licitações da Petrobras, e que seus encontros e jantares com ele eram "sociais, e não de negócios".

"Eu não conhecia o Renato Duque, não me comprometi com ele e com ninguém, não pedi nenhum favor e nenhuma retribuição pela indicação dele", afirmou Dirceu, sobre a indicação do engenheiro à diretoria da Petrobras. "[Eu tratava] questões gerais, políticas, de estratégia de governo, da situação do país."

EM SILÊNCIO

Interrogado também nesta sexta-feira, o ex-diretor Renato Duque, que negocia acordo de delação, permaneceu em silêncio.

"Eu quero reiterar minha disposição total de colaborar com a Justiça, mas, no momento, por orientação de meu advogado, eu vou permanecer calado", disse.

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Estelita Hass Carazzai
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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