sábado, 29 de outubro de 2016

Invasão de escolas muda local de votação de 700 mil eleitores


Imagem: Reprodução
As escolas ocupadas por estudantes do ensino médio e técnico estão em 16 dos 20 estados que vão receber o segundo turno das eleições neste domingo. Os estados do Paraná, Espírito Santo e Goiás vão realocar seções, movimentando 700.315 mil eleitores. No Espírito Santo, nove escolas deixarão de ser locais de votação. Em outros locais, houve um acordo entre Justiça Eleitoral e estudantes, para que as atividades de votação e de ocupação convivam sem transtorno durante o próximo domingo. O TRE-GO alega que a logística não vai gerar custos adicionais para o estado. Já no Paraná, o gasto com o segundo turno deve aumentar em R$ 3 milhões, pelas onerações com tropas federais contratadas para acompanhar o pleito, deslocamento de servidores, sinalização dos novos locais e correspondências enviadas aos eleitores avisando sobre as seções temporárias.


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Os estados da Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina fecharam acordo com os estudantes para a convivência entre as atividades de votação e de ocupação dentro das escolas. Pernambuco disse que tem um plano de contingência, mas não detalhou do que se trata, alegando “questões de segurança”.

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) contabiliza, até o momento, 1.177 escolas ocupadas em todo o Brasil. A presidente da Ubes, Camila Lanes, disse que os advogados da organização mantiveram contato com os TREs e negociaram para que as eleições transcorressem dentro da normalidade.

— Se houver votação nas escolas ocupadas é bom para nós, porque assim nos aproximamos da comunidade e podemos debater nossas ideias.

A Justiça do Paraná determinou, nesta sexta-feira, a desocupação de 25 colégios estaduais de Curitiba. Caso os alunos não desmontem o acampamento de maneira voluntária, a Polícia Militar poderá interferir. Cada dia de descumprimento da determinação ainda incorre no pagamento de R$ 1 mil pelos estudantes. A juíza Patrícia de Almeida Gomes Bergonese, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, citou o risco às crianças e o impedimento do trabalho dos professores na decisão.

Mas o TRE-PR informou que o planejamento de mudança dos locais de votação deve seguir inalterado.

De acordo com o site da Ubes, os acampamentos são uma forma de protesto contra três projetos de lei do Governo Federal: a Medida Provisória (MP) 746/2016, que propõe a Reformulação do Ensino Médio, a PEC 241/16, chamada PEC do Teto, que estipula um teto para os gastos públicos com base na inflação do ano anterior, e a Lei 867/2-15, apelidada Lei da Mordaça, que quer eliminar do ambiente escolar o debate socio-político.

Entre os estados que têm escolas ocupadas e realizarão segundo turno, O GLOBO não conseguiu contato com os TREs de Alagoas, Maranhão e Pará.

Os TREs do Ceará, Mato Grosso, Rondônia, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe declararam que as seções de votação não coincidem com as escolas ocupadas. 

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O Globo
Editado por Folha Política
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