terça-feira, 4 de outubro de 2016

ONG ligada a Freixo teria desviado R$ 250 mil de doações para a família do Amarildo


Freixo foi até a Rocinha para gravar vídeo pedindo doações
Imagem: Reprodução / Youtube
A morte do pedreiro Amarildo Dias de Souza, assassinado por policiais militares no Rio de Janeiro, comoveu o país em 2013. A viúva e os seis filhos do pedreiro, que já eram muito pobres, passaram por dificuldades ainda maiores após o desaparecimento do Amarildo, em julho daquele ano.

A principal campanha de arrecadação de doações para a família do Amarildo foi feita pela ONG Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (DDH), ligada a Marcelo Freixo, atual candidato do PSOL para a prefeitura do Rio de Janeiro. A campanha #somostodosamarildo arrecadou R$ 310 mil, em diversos eventos entre jantares, shows e leilões solidários.

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No entanto, a viúva teria recebido apenas R$ 60 mil. Cerca de 80% do valor ficou com a ONG, segundo denúncia. Na época, Freixo era deputado estadual e tinha funcionários do gabinete dele trabalhando na ONG, entre eles, o tesoureiro do DDH, Tiago Souza Neto.

Freixo apresentou o vídeo institucional da campanha gravado no barraco onde Amarildo morava com a mulher, dona Elizabete, e os seis filhos, na favela da Rocinha. No vídeo, de quase 20 minutos, Freixo fala sobre as condições difíceis da família e contesta a versão dos polícias, que diziam que o pedreiro tinha ligação com o tráfico e que a casa dele servia de esconderijo de armas.

De cada seis reais arrecadados na campanha #somostodosamarildo, a ONG ficou com cinco e repassou um para a família do Amarildo. O presidente do DDH é João Tancredo um dos principais doadores da campanha de Marcelo Freixo para a prefeitura.

No sábado, dia 2 de outubro, a candidata a vice-prefeita pelo PMDB, Cidinha Campos, publicou um vídeo na internet denunciando o desvio do dinheiro que deveria ter ido para os familiares do Amarildo.

Em fevereiro deste ano, a Justiça do Rio condenou 12 dos 25 policiais militares acusados pela morte de Amarildo. Os PMs foram condenados pelos crimes de tortura seguida de morte, ocultação de cadáver e fraude processual.

Em nota, a assessoria de Marcelo Freixo disse que o valor arrecadado foi doado para a família e outra parte para instituições. A decisão foi tomada por todas as partes envolvidas, incluindo a família, segundo o assessoria. Leia na íntegra:

A campanha "Somos Todos Amarildo", organizada por artistas, juristas e pesquisadores da área de segurança pública após o desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, em julho de 2013, arrecadou R$ 359.341,77 através de leilão realizado pela produtora Paula Lavigne e show de Caetano Veloso e Marisa Monte no Circo Voador. Deste total, R$ 186.213,48 foram doados para a família.
O restante do dinheiro foi destinado a entidades que atuam na defesa dos Direitos Humanos: Grupo Tortura Nunca Mais, Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, Associação de Mídia Comunitária da Rocinha (TV Tagarela), Projeto Via Sacra e Associação Cristã de Ação e Desenvolvimento do Rio de Janeiro.
O projeto "Somos Todos Amarildo" tinha dois objetivos, que foram acordados com a família e amplamente divulgados: comprar uma nova casa para a família do pedreiro e financiar o desenvolvimento de um programa sobre pessoas desaparecidas no Rio em consequência de ações de agentes do Estado. A ideia era produzir o perfil das vítimas, entender como ocorrem os desaparecimentos, descobrir as principais dificuldades para a investigação e prestar assistência às famílias.
O primeiro objetivo foi atingido. A nova casa, escolhida pela viúva de Amarildo, Elizabeth Silva, e seus filhos na Rocinha custou R$ 50 mil. Os eletrodomésticos e móveis foram adquiridos por R$ 10 mil - o que foi, inclusive, esclarecido por ela em um vídeo publicado na internet.
O segundo objetivo, infelizmente, não foi alcançado devido à não colaboração do governo do Estado. Lamentavelmente, o governo Sérgio Cabral não forneceu as informações necessárias para o desenvolvimento do programa sobre pessoas desaparecidas. A coordenação do projeto, formada por Julita Lemgruber (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes), Ignacio Cano (Laboratório de Análise da Violência da UERJ), Michel Misse (Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da UFRJ) e Glaucio Soares (Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ), encaminhou diversos pedidos de informações ao Instituto de Segurança Pública, ligado à Secretaria de Segurança Pública, mas não obteve resposta.
Diante disso, com descrito anteriormente, o dinheiro que seria usado para financiar o programa foi destinado à família e às entidades que atuam na defesa e promoção dos Direitos Humanos. Todas as decisões foram tomadas pelo conjunto de pessoas envolvidas no projeto, inclusive a família de Amarildo.

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R7
Editado por Folha Política
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