quinta-feira, 6 de outubro de 2016

PT critica campanha 'Vamos tirar o país do vermelho' e vê tentativa de 'eliminar' partido


Imagem: Avener Prado / Folhapress
Após a primeira reunião oficial para avaliação da derrota sofrida pelo PT nas eleições municipais de domingo (2), o presidente do partido, Rui Falcão, disse que a legenda é alvo de uma "ofensiva terrível". Ele também criticou a campanha publicitária do governo Michel Temer com dados negativos sobre a gestão Dilma Rousseff.


"Hoje, nos jornais, [há] uma campanha paga, com o timbre do governo usurpador [que diz] 'Vamos tirar o país do vermelho', que dá a entender também 'Vamos tirar o vermelho do país'. Não basta nossa derrota eleitoral, querem nos eliminar da vida política", disse Falcão nesta quarta-feira (5), após reunião da executiva nacional do PT.

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Com o objetivo de defender a necessidade de reequilibrar as contas públicas, o governo federal lançou hoje campanha publicitária em diversos jornais, em que diz ter encontrado "uma situação muito grave nas contas públicas" e lista 14 pontos negativos herdados da gestão anterior.

Rui Falcão afirmou que a "ofensiva terrível" de "forças conservadoras" teve início ainda no mensalão e se arrasta até hoje.

Um dos exemplos citados por ele foi a decisão da Polícia Federal de indiciar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção nesta quarta.

"Em nome do combate à corrupção, que a população se preocupa com razão, se faz uma cruzada seletiva contra um partido e a maior liderança popular do país", disse o presidente do PT.

SEGUNDO TURNO

Diante da derrota sofrida pelo partido nas eleições municipais, o comando nacional do PT decidiu conclamar a militância a apoiar no segundo turno os candidatos de partidos de esquerda.

"Estamos orientando a nossa militância a apoiar incondicionalmente as candidaturas do PSOL, do PC do B, da Rede e do PDT nas capitais e para que, em cada município, os diretórios vejam a quem não devemos conceder nem o voto nem o apoio", disse Falcão.

No primeiro turno, o PT viu o número de prefeituras sob seu comando cair de 644, em 2012, para 256, queda de 60%. No segundo turno, disputa sete prefeituras, sendo apenas uma capital, o Recife.

"Teve o impeachment, a crise econômica. Mas nenhum desses fatores, por si só, é capaz de explicar a extensão da nossa derrota. Foi uma derrota forte, grande e que merece um exame sereno, aprofundado, minucioso nos próximos meses", afirmou Falcão, que disse que também será preciso "tirar lições" dos erros cometidos pelo partido.

Assim como outros petistas, Falcão defendeu que a legenda construa "um projeto alternativo que tire o país da crise e que nos permita retomar nosso projeto de construção de um novo país".

Em outra frente, a executiva nacional do PT definiu fazer "uma dura oposição" à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que estabelece um teto para os gastos públicos, ao projeto que flexibiliza as regras para ampliar a participação privada no pré-sal e à Medida Provisória que altera o ensino médio.

Quanto à flexibilização das regras para a repatriação de recursos no exterior, Falcão disse que o projeto não foi mencionado na reunião.

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SÃO PAULO

Rui Falcão classificou como "surpresa relativa" a vitória de João Doria (PSDB), inclusive na periferia de São Paulo, região antes dominada pelo PT. "Com um pouquinho mais de campanha nós teríamos ido para o segundo turno. Ficou muito próximo", afirmou. "Mas aí são águas passadas, vamos pensar para o futuro agora", disse Falcão.

ELEIÇÕES INTERNAS

A reunião da executiva nacional do partido não definiu quando realizará as eleições para definir o novo comando do PT. Rui Falcão afirmou que a realização da escolha no primeiro semestre já estava definida, mas o calendário só será fechado em novembro.

"Se você renova a direção no primeiro semestre, ela tem todo um semestre pra viajar, reunificar o partido, para planejar, para ajudar a construir um projeto que nós vamos nos apresentar", afirmou.

RESOLUÇÃO

Após a reunião, a executiva nacional do PT divulgou uma resolução com 18 pontos em que responsabiliza a "mídia monopolizada e os aparatos da classe dominante" pela "derrota profunda do campo democrático-popular, principalmente do nosso partido".

O partido, no entanto, também faz um mea culpa, admitindo erros cometidos "antes e durante o processo eleitoral" e evoca uma "autocrítica".

"O PT e a esquerda não conseguiram reconquistar o apoio, a confiança e a identidade da classe trabalhadora, dos pobres e dos setores médios, inconformados com o ajuste fiscal implementado pelo nosso governo", diz o texto.

O partido afirma ainda que não conseguiu, durante o primeiro turno, construir uma contra narrativa "capaz de desmascarar o programa defendido pelas forças golpistas e associá-lo a seus projetos privatistas para as cidades".

"Não conseguimos tampouco apresentar listas mais amplas de candidaturas a prefeito e vereador, o que já prenunciava uma redução numérica que, afinal, superou as expectativas mais pessimistas, sobretudo nas grandes cidades e em municípios que já governamos", afirma a resolução.

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Daniel Carvalho
Folha de S. Paulo 
Editado por Folha Política
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