quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Veja o que delatores da Lava Jato disseram nas ações de cassação da chapa Dilma-Temer no TSE


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Em depoimentos nas ações que pedem a cassação da chapa Dima Rousseff e Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral, delatores da Lava Jato confirmaram que o esquema de desvio de recursos da Petrobras também envolvia propina para o PT e PMDB.


O TSE disponibilizou nesta quinta-feira (6/10) a íntegra do processo. Os volumes 12 e 13 trazem os relatos dos delatores.

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Otavio Azevedo, Andrade Gutierrez

Ex-presidente do grupo Andrade Gutierrez afirmou que não tinha relação de amizade com Dilma ou Temer, mas confirmou encontros com os dois, que teriam sido “formais” e divulgados. Ele contou ainda que foi acertado o pagamento de propina para partidos políticos e que na época de doações havia separação do “joio e trigo”.

Otavio Azevedo cita acordos envolvendo ex-ministros como Antonio Palocci, preso em Curitiba, Edson Lobão, atualmente senador e investigado no STF, e até o ex-ministro Delfim Neto, além de pessoas próximas a Dilma, como Giles Azevedo.

Parte do dinheiro desviado foi referente à usina de Belo Monte, sendo paga também por meio de doações eleitorais. Nas eleições de 2014, a Andrade reservou R$ 104 milhões para contribuições.

“Nós estávamos ali sendo garfados em alguns milhões; uma parte foi para o Delfim e uma parte foi para partidos políticos.”

“O PMDB teve uma doação total de vinte e pouco milhões também em 2014, parte do recurso do PMDB veio de Belo Monte. Parte dos recursos do PT veio de Belo Monte da combinação com o Berzoini”.

Questionado se as doações para o PMDB e para o vice-presidente eram voluntárias, ele respondeu positivamente.

“Por quê nós fizemos a contribuição de um R$1 milhão em março? Porque nós estávamos sofrendo pressão para cumprir obrigações dos acordos de contribuição dos 1% aí de cada projeto. Então esse é um R$ 1 milhão feito em março em duas parcelas de R$ 500 mil, em julho, já no período eleitoral, foi transferido para campanha da presidente.

Flávio David Barra, Andrade Gutierrez

Ex-presidente da área de energia, Barra afirmou que os dois interlocutores principais para lidar com a propina decorrente do contrato da Usina Nuclear Angra III era ministro Edison Lobão para o PMDB e João Vaccari para o PT. A porcentagem distribuída era a seguinte: 2% para o PMDB, 1% para o PT e em torno de 1,5% distribuídos entre executivos da Eletronuclear.

Questionada do valor “elevado” de 4,5% de propina, Barra afirmou que para que o contrato não sofresse intempéries adicionais, se aceitou compor esse acordo.

“Existia uma dificuldade enorme em se empreender o projeto da usina nuclear. E o recurso que a empresa precisaria mobilizar seria muito grande e ela estava sozinha. Então, quando houve essa demanda – acredito eu, porque eu não participei – por parte de agentes políticos e também da diretoria, eu acredito que tenha se decidido por aceitar esta condição, isso, evidentemente, era retirado da margem da empresa, porque o contrato era extremamente vigiado pelos órgãos de inspeção do governo federal, por exemplo, o TCU – não se dava um passo, não se assinava aditivo de prazo, qualquer que fosse, sem o aval do TCU, principalmente”.

“Devo ter feito alguma coisa em torno de 4 milhões só para o ministro Lobão – de 4 a 4,5 a 5 milhões”, afirmou.

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Eduardo Leite, Camargo Correa

Ex-vice-presidente da construtora Camargo Corrêa, Eduardo Leite assumiu a função de diretor de área de óleo e gás da em 2009, quando foram passados pactos que a empresa tinha com operadores que eram responsáveis por entregar propina às diretorias da Petrobras.

“Isso já estava pactuado e a minha obrigação residia em dar fluidez”, afirmou.

“A Camargo não operava sistema de caixa dois. Então ela se utilizava de serviços de empresas terceiras que efetivamente acabavam dando um destino para o recurso”, completou.

“Eu acredito que não foi feito porque como era eu que controlava a propina, nenhum momento alguém me falou: abata, porque então assim, isso em nenhum momento me foi passado. Se houve doações eleitorais foi algo à parte? Entendo que sim.”

Leite disse que, pela “sistemática de fornecedores”, a Camargo pagou R$ 110 milhões, sendo sendo 47 milhões para o PP e R$ 53 para o PT.

Ricardo Pessoa, da UTC

O empresário disse que pagou R$ 24 milhões para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, sendo R$ 3,9 por caixa dois. “O Edinho Silva me deu a conta da campanha presidencial de Dilma Rousseff”.

“O Edinho me ponderava que, por seu ser, primeiro um grande fornecedor da Petrobras, com grandes contratos lá, o status quo que continuasse exigia que eu colaborasse mais. Isso é que ele me ponderava. “
Pergunta: Além do PT, havia esse tipo de desconto contratual? Essas comissões, nesse sentido, essas propinas?

Pessoa: “Não, não. Só mesmo por parte do VPN. O partido do Valdemar Costa Neto. O PR.”

Zwi Skornick, lobista

Zwi Skornick comparou o pagamento de propina ao PT com um seguro de carro.

“O senhor não quer nunca usar [o seguro], mas paga. Basicamente era dessa forma. Um seguro de carro que não era espontâneo, claro”, afirmou Zwi ao ser ouvido pelo ministro Herman Benjamin, corregedor-geral Eleitoral, nas ações que tratam da cassação da chapa Dilma Rousseff e Michel Temer.

Em sua fala, Zwi confirmou o pagamento de US$ 4,5 milhões a Mônica Moura, mulher do ex-marqueteiro do PT João Santana. Ao juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, Mônica também afirmou o acerto e disse que foi caixa dois da campanha presidencial de Dilma em 2010.

Zwi não implicou diretamente a campanha de Dilma. Lobista, Zwi disse que começou a tratar de propina em 2003 com o ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco e mais tarde negociava com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso na Lava Jato. Zwi também foi representante da empresa Sete Brasil.

O engenheiro contou que Vaccari lhe disse que parte da propina das negociações com a Petrobras iriam para o PT, mas que os repasses eram feitos em contas no exterior orientadas pelo petista.
Zwi disse que teve dois contatos com Mônica e que Vaccari mandou ele acertar uma dívida com ela, mas não informou o motivo.

“Eu tenho uma conta corrente com o senhor. Ele falava comigo dessa conta. Me faça o favor e pague 5 milhões de dólares para Mônica”.

Zwi foi questionado se nesse período de intensos contratos com a Petrobras e depois com a Sete Brasil algum outro partido foi envolvido ou apenas o PT. “Só o PT”, respondeu.

O engenheiro disse ainda que os pagamentos não eram espontâneos. “Não foi espontânea, não senhor”.

Questionado se tinha receio, respondeu: “Bastante ainda mais porque era uma empresa estrangeira concorrendo contra empresas de grande porte no Brasil, onde eram potentes.

Vaccari propiciava proteção a sua empresa? “É, ele se colocava como o senhor me ajuda, se precisar lá na frente posso lhe ajudar, mas nunca ajudou. É como se o senhor fizesse um seguro de carro. O senhor não quer nunca usar, mas paga, basicamente era dessa forma. Um seguro de carro que não era espontâneo, claro”.

Zwi disse ainda que, além dos pagamentos a Mônica Moura, fez pagamentos também ao Claudio Mente no valor de US$ 1 milhão e pagamento mensal de R$ 25 mil para a empresa Zaama que, segundo ele, prestava auxílio para o ex-tesoureiro do PT no Rio. O engenheiro disse ainda que fez repasses a dois políticos com foro privilegiado, mas que não poderia apresentar os nomes.

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Márcio Falcão e Livia Scocuglia
Jota
Editado por Folha Política
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