sábado, 22 de outubro de 2016

Venezuela suspende referendo contra Nicolás Maduro


Imagem: Ismael Francisco / Fotos Públicas
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela suspendeu o processo de coleta de assinaturas da segunda etapa para requerer um referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro.

Em nota, a entidade afirmou que vários tribunais penais inferiores entraram com ações alegando que a primeira fase, que recolheu 1% das assinaturas equivalente ao número de eleitores da Venezuela, foi fraudada em pelo menos cinco regiões. "Estas decisões têm como consequência a paralisação" da etapa seguinte, que terá que coletar 20% de assinaturas – cerca de 4 milhões de firmas.

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A coleta final, antes de ativar o revogatório, começaria no dia 26 de outubro e a oposição, por meio da coalizão Mesa de Unidade Democrática (MUD), criticou a medida. O secretário-executivo da MUD, Jesús Torrealba disse que a "alternativa de luta" não está descartada. "Eles não podem adiar a mudança que o povo está pedindo", acrescentou.

As pesquisas de opinião mostravam que a oposição conseguiria coletar as assinaturas necessárias em todos os estados venezuelanos, abrindo, assim, o processo para o revogatório. Mesmo que o CNE, que tem a maioria de indicados por Maduro, volte atrás, a manobra atrasa os planos da oposição de retirar o mandatário do poder.

Isso porque se o referendo se realizar até 10 de janeiro de 2017, deverão ser convocadas novas eleições presidenciais, de acordo com a legislação venezuelana.

Se ocorrer depois de 10 de janeiro de 2017, o vice-presidente Aristóbulo Isturiz assumirá o comando do país até 2019, quando termina o atual mandato. No dia 28 de setembro, o CNE afastou a possibilidade de o referendo contra o presidente da Venezuela se realizar antes de meados do primeiro trimestre de 2017.

Crise

Eleito em 2013, Nicolás Maduro é acusado pela oposição de má administração em meio a uma crise política e econômica sem precedentes no país. A Venezuela sofre com uma inflação galopante (a maior da América Latina), acompanhada de uma crise produtiva, problemas de distribuição de produtos de primeira necessidade, mercado afetado por medidas de restrição e regulamentação. Estima-se que cerca de 76% da população local esteja vivendo abaixo da linha da pobreza. Em 2014, essa cifra era de pouco mais de 50%. 

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