sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Advogados da Odebrecht dizem que ficaram a pão de queijo e água


Imagem: Rodrigo Félix Leal  / Futura Press
Advogados dos funcionários da Odebrecht que farão delação premiada na Operação Lava Jato reclamaram do tratamento que receberam dos procuradores da força-tarefa na quarta-feira (23), data marcada para a assinatura do acordo de colaboração.

Dezenas de defensores de 77 funcionários da empreiteira, a maioria de fora de Brasília, chegaram logo no início da manhã na sede da Procuradoria-Geral da República. Foram encaminhados para um auditório no primeiro andar do prédio e lá ficaram durante horas sem que um procurador fosse até o local para atendê-los.


Segundo um defensor que pediu para não ser identificado, ninguém dava satisfação sobre a demora. "Deixaram os advogados o dia todo lá e não tinha sequer um café para quem estava esperando", protestou um defensor que não quis ser identificado.

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Quando a fome bateu, segundo ele, um grupo de advogados resolveu invadir um evento que acontecia numa sala ao lado do auditório, misturou-se aos convidados e atacou a mesa de salgadinhos. O pão de queijo matou a fome, disse o advogado.

Os procuradores haviam determinado que os advogados levassem para o dia da assinatura do acordo um pendrive contendo o depoimento e toda documentação relativa ao caso de cada réu.

Por volta do meio dia dois procuradores, enfim, foram até o auditório e disseram que a orientação sobre a entrega dos documentos da delação havia mudado. Eles não deveriam mais ser entregues digitalizados, como o combinado anteriormente, mas sim em papel. Todos os advogados, então, saíram para imprimir os documentos.

O motivo do sumiço dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato era o impasse em relação ao valor da multa que a Odebrecht terá que pagar no acordo de leniência da empresa e o prazo para fazer esse pagamento.

Uma parte desse dinheiro ficará no Brasil e outra vai para os Estados Unidos. Uma autoridade do Departamento de Justiça dos EUA está em Brasília e participa das negociações. Como americanos e brasileiros não chegaram a um acordo sobre valores, a negociação emperrou.

Para agravar a situação no dia seguinte, quinta-feira (24), seria feriado do dia de Ação de Graças nos Estados Unidos e o enviado americano não conseguiria falar com seus superiores para fazer a negociação avançar.

Já passava das 20h30 de quarta quando, enfim, os procuradores da Lava Jato foram até o auditório para falar com os advogados da Odebrecht.

Os papéis com as delações foram descartados e os documentos foram entregues em pendrives, como já havia sido combinado na primeira vez. Voltem na quinta, ouviram os defensores. No dia seguinte outra vez não houve assinatura do acordo e no final da tarde funcionários e advogados da empreiteira voltaram para suas cidades de origem.

A empresa gastou R$ 300 mil movimentando cerca de 100 executivos e advogados. 

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Walter Nunes
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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