quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Chefe anticorrupção da Camargo Corrêa é demitido após virar réu


Imagem: Ana Paula Paiva / Valor
A Camargo Corrêa demitiu o vice-presidente de governança corporativa, auditoria e "compliance" (controle interno) do grupo, Flávio Rimoli. Ele comandava o departamento responsável pelas medidas anticorrupção criado após a empresa ser flagrada na Operação Lava Jato.


Antes da Camargo Corrêa, Rimoli fez carreira de 33 anos na Embraer. Saiu da fabricante de aeronaves em 2013 e, dois anos depois, foi contratado pelo presidente da construtora, Arthur Coutinho, outro egresso da Embraer.

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Entre junho e julho, reportagens da Folha mostraram que o executivo havia sido citado por dois delatores em investigação de corrupção que apontou que a Embraer pagou US$ 3,5 milhões em propina para um coronel da Força Aérea da República Dominicana que facilitou a venda de oito aviões Super Tucanos para o governo do país. O valor da venda, concretizada em 2008, foi de US$ 92 milhões.

O caso foi descoberto pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em 2011, que enviou um pedido de explicações à companhia brasileira.

Com medo de ser enquadrada nas leis americanas anticorrupção, que chegam a excluir do mercado empresas flagradas corrompendo funcionários públicos, a Embraer encomendou uma auditoria interna para investigar seus procedimentos.

O resultado da auditoria foi enviado para as autoridades americanas e também para o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, que denunciou inicialmente oito pessoas pelo caso. O Ministério Público Federal ouviu os dois delatores e, em 25 de junho, pediu para incluir Flávio Rimoli na denúncia feita contra outros acusados no esquema.

Em 29 de agosto, o juiz Marcelo da Costa Bretas aceitou o pedido e ele virou réu no processo. No mês seguinte, a Camargo Corrêa demitiu Rimoli.

A Folha informou que a auditoria interna da Embraer enviada aos americanos revelou que, além do caso da propina paga a autoridades da República Dominicana, houve pagamentos indevidos também em negócios da fabricante em Arábia Saudita, Índia e Moçambique.

OUTRO LADO

A Camargo Corrêa negou haver relação da saída de Rimoli com as denúncias envolvendo o executivo nos tempos de Embraer. Disse que ele saiu da companhia junto com a equipe de reestruturação de Artur Coutinho, que foi substituído pelo executivo Décio Amaral. O setor anticorrupção que Rimoli comandava foi incorporado por outras áreas da empresa, segundo a assessoria.

Celso Vilardi, advogado de Rimoli, não se manifestou sobre a saída de seu cliente.

A Embraer firmou acordo com autoridades dos Estados Unidos e do Brasil e vai pagar uma multa de US$ 206 milhões por ter pago propina em negócios na República Dominicana, na Índia, na Arábia Saudita e em Moçambique. Vai adotar normas anticorrupção e será fiscalizada por dois monitores externos, um brasileiro e um americano. 

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Wálter Nunes
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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