quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Deputados e líderes definiram os termos da anistia ao caixa 2 em almoço na casa de Maia


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Deputados e líderes dos principais partidos da Câmara da base aliada e de oposição, com exceção do PSOL e da Rede, participaram nesta quarta-feira de almoço na residência oficial do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para discutir o relatório das dez medidas de combate à corrupção. De acordo com deputados que participaram do almoço, além dos ajustes no texto para a votação na comissão especial, também foi discutida a apresentação de uma emenda para anistiar os crimes de caixa 2 cometidos no passado.

Leia também: 
Deputado perde a paciência, expõe super salários e denuncia complô entre políticos corruptos e elementos 'podres' do judiciário; veja

A emenda da anistia seria apresentada em plenário, desde que todos os partidos concordem em assumir a autoria. Deputados favoráveis à emenda tentam convencer o partido a assinar.

— Ou assina todo mundo ou não vai ter a emenda — disse um dos deputados presentes, que está procurando os petistas que concordam com a emenda para tentar fazer com que o partido mude de posição.

Nos bastidores, muitos deputados admitem que a ideia da anistia ao caixa 2 é defendida pela maioria dos parlamentares. Um dos textos da emenda que está circulando entre os deputados é o seguinte : "Não será punível nas esferas penal, civil e eleitoral, doação contabilizada, não contabilizada ou não declarada, omitida ou ocultada de bens, valores ou serviços, para financiamento de atividade político-partidária ou eleitoral, realizada até a data da publicação dessa lei."

Oficialmente, líderes admitem presença no almoço, mas negam que a emenda da anistia tenha sido discutida. Segundo os líderes, o encontro serviu para ajustar pontos do relatório do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) na comissão especial. Onyx também participou do almoço.

O grupo da bancada do PT contra a emenda da anistia quer divulgar um manifesto contra a iniciativa, mas também criticando pontos do relatório de Onyx que, na opinião deles, ferem direitos e garantias individuais. Citam, por exemplo, a redução de recursos da defesa. Em relação à anistia do caixa 2, o discurso do grupo é de que tal medida tem por objetivo uma "tentativa de estabilização do golpe parlamentar" que tirou Dilma Rousseff do cargo de presidente da República.

Segundo um dos petistas que assinou o manifesto, o documento já tem mais de 20 assinaturas de deputados petistas.

— Vamos nos insurgir contra. Entendemos que isso é o coroamento do golpe, é a moeda de troca que os golpistas ofereceram aos deputados e senadores, aos partidos e às empresas para afastar Dilma do poder. Vamos lançar um manifesto e denunciar que o objetivo dessa manobra é estabilizar o golpe — disse um dos deputados do PT que assinou o documento.

Deputados que assinam o manifesto confirmam que a tentativa de aprovar a emenda da anistia conta com o apoio de deputados do PT. Em reunião da coordenação, eles conseguiram a garantia de que o PT não assinará a emenda no plenário.

O manifesto diz que o grupo é favorável ao aperfeiçoamento do combate à corrupção, mas que isso não pode vir em detrimento de direitos e garantias individuais. E que o grupo é contra qualquer tipo de anistia ao Caixa 2.

Veja também: 





Isabel Braga

O Globo
Editado por Folha Política
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

UOL Cliques / Criteo

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...