quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Governador filho de Renan bancou ato Fora Temer em São Paulo com dinheiro público


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Através da pasta do Esporte, Lazer e Juventude do Estado Alagoas, o governo de Renan Filho (PMDB) bancou com dinheiro público a atuação de militantes alagoanos contra o presidente da República Michel Temer, no 18º Congresso da União da Juventude Socialista (Conujs), de 28 de julho a 1º de agosto, em São Paulo-SP.

Mais de R$ 11 mil do pobre Orçamento do Estado de Alagoas foram investidos em diárias e passagens para que quatro servidores públicos comissionados participassem do evento da União da Juventude Socialista (UJS), que promoveu um fim de semana de doutrinação política de esquerda, que terminou com um ato público “Fora Temer”. O gasto está registrado no portal da transparência do Governo de Alagoas.

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As lutas contra o que chamam de “golpismo” e, principalmente, pela queda do atual presidente, líder do PMDB de Renan Filho, foram as bandeiras centrais debatidas durante o evento que contou com a presença do ex-presidente Lula.

“Nos somamos na luta contra o golpismo e os retrocessos impostos pela agenda conservadora de Michel Temer para a juventude brasileira!”, disse uma publicação da UJS, nas redes sociais, após o evento que contou com a presença de Lula em 29 de julho, mesmo dia em que se tornou réu sob suspeita de obstrução de Justiça na Operação Lava Jato.

“Eu queria ir”

A secretária de Esportes de Renan Filho, Cláudia Petuba, foi quem autorizou a ida dos seus subordinados para o evento, pagando as despesas com o dinheiro do povo pobre de Alagoas. Presidente do PCdoB em Alagoas, Petuba fez pouco caso da situação, ao responder ao Diário do Poder sobre a “Farra das diárias”, denunciada pela Frente pela Liberdade (FPL), na véspera do feriado da Proclamação da República. E errou até as contas de para quantos servidores liberou diárias para o evento da entidade “estudantil”, à custa do povo.

“Três servidores que atuam na área de juventude e foram para um evento nacional de juventude, um dos principais da América Latina por sinal. Queria muito ter ido, infelizmente não pude”, foi o que disse sobre seu ato administrativo e político.

Petuba sempre participou ativamente de diversos atos políticos em defesa de Dilma Rousseff e contra o seu impeachment, consolidado em 31 de agosto deste ano. E, ao contrário do PT de Alagoas, o PCdoB não largou a boquinha no governo peemedebista de Alagoas, nem após o pai do governador e cacique do partido, senador Renan Calheiros (PMDB-AL) votar pela queda de Dilma.

Atualmente, Petuba anda discreta com relação ao “golpe” do partido que comanda o governo do qual faz parte. Questionada se sua posição pessoal ainda é a mesma da época em que propagava o “Não vai ter golpe” em protestos nas ruas e nas redes sociais, a comunista respondeu ao Diário do Poder que nada mudou. “Publicamente, eu só emito uma opinião política, a do partido. Nossa avaliação sobre a conjuntura nacional não se alterou”.

Contramão

Renan Filho segue no rumo contrário ao dos servidores da pasta ocupada pelo PCdoB. Obteve liminar que proíbe invasões de escolas públicas da rede estadual pela vertente do movimento Fora Temer contrária à PEC 55. Mas uma servidora doutrinada pela UJS no evento de São Paulo, Ana Paula da Silva, dividiu sua rotina de trabalho no governo peemedebista com a participação ativa em invasões, em dia de semana e em plena luz de dias úteis.

Veja quem o governo do PMDB de Alagoas bancou para gritar “Fora Temer” em Sampa:

- Maria Lucyelma da Silva: Diárias: R$ 1.400; Passagens: R$ 1.911,74

- Thamires Mayara Morais de Farias: Diárias: R$ 1.400; Passagens: R$ 2.425,74

- Ana Paula da Silva: Diárias: R$ 1.120; Passagens: Não consta no portal da transparência

- Rafael Cardoso de Oliveira: Diárias: R$ 1.050; Passagens: R$ 1.911,74

Total: R$ 11.219,22




Sem comentários

O Diário do Poder perguntou ao governador Renan Filho qual o retorno que pode ter este investimento em diárias e passagens para a população, para o seu governo e para as relações institucionais com o presidente Temer, seu aliado e colega de partido. O governador leu, mas não respondeu à pergunta, recebida pelo aplicativo WhatsApp.

Os servidores comissionados também foram contatados pelas redes sociais. E eventuais respostas serão incluídas nesta matéria.

Todo cidadão, independente de ser servidor comissionado ou não, deveria ter liberdade para professar suas ideologias e posições partidárias. Mas envolver gasto público com militância política partidária, além de ser desonesto com o eleitor e contribuinte do pobre Estado de Alagoas, pode virar caso de improbidade administrativa.

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Davi Soares
Diário do Poder
Editado por Folha Política
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