sábado, 5 de novembro de 2016

Invasores deixam ocupação para fazer a prova do Enem em outras escolas


Imagem: Beto Macário/UOL
O jovem Weverton Ramon, 20, vai deixar a ocupação em que está há 19 dias, na Escola Estadual Manoel Lúcio, em Arapiraca (130 km de Maceió), para fazer prova do Enem em outro local, não ocupado.

Aluno do terceiro ano do ensino médio da primeira escola ocupada na cidade, ele pensa em fazer faculdade de filosofia ou design, em Maceió. Para ele, foi um erro suspender as provas.


"Deveria ter cancelado para todo mundo. Quem tiver mais tempo para estudar, terá vantagem", defende o estudante, que fará prova no colégio particular Êxito.

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Enquanto deixa a escola, dois fiscais informam a quem chega que a escola está ocupada, e o Enem está cancelado no local ocupado. "Já vieram umas três pessoas buscar informação", diz uma fiscal.

Na mesma escola, em Arapiraca, Rikelly Maria Silva, 18, também irá fazer Enem neste fim de semana. No segundo ano do ensino médio, ela fará a prova apenas por experiência.

"O MEC poderia ter conversado conosco e feito provas aqui e nas demais escolas ocupadas. Não teve eleição em tantos locais? E em Minas Gerais houve acordo com estudantes, poderiam todos fazer prova hoje, seria mais justo", conta.

Enem foi adiado em mais de 400 escolas

Por conta das ocupações, o MEC (Ministério da Educação) cancelou o Enem em mais de 400 locais de prova. Os estudantes protestam contra a PEC que limita os gastos públicos e a medida provisória sobre reforma do ensino médio, ambas em votação no Congresso. 

Cerca de 270 mil estudantes farão o exame nos dias 3 e 4 de dezembro. 

Fernanda Baeda, 18, deixou uma ocupação  para fazer a prova na PUC
Imagem: Hugo Cordeiro/UOL
Em Belo Horizonte, a estudante Fernanda Baeda, 18, deixou uma ocupação  para fazer as provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) na PUC (Pontifícia Universidade Católica), localizada no bairro Coração Eucarístico.

Segundo ela, que vai tentar o curso de medicina, as ocupações são uma maneira de mostrar a insatisfação dos secundaristas contrários à PEC 241 e à reforma do ensino médio. É a primeira vez que ela se inscreveu para o Enem.

"Acredito que estamos fazendo, sim, um protesto válido. É uma forma de mostrar as nossas reivindicações também", explicou. A estudante disse que se reveza em duas ocupações feitas por alunos secundaristas na capital mineira. "Uma delas é na Escola Estadual Olegário Maciel. A outra, é na Escola Estadual Professor Francisco Brant", afirmou.

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Carlos Madeiro e Rayder Bragon
UOL
Editado por Folha Política
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