quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Operadores Adir Assad e Tacla Duran são alvos da operação Dragão


Assad durante depoimento à CPI do Cachoeira.
Imagem: André Dusek/AE
 
Em busca dos operadores financeiros que atuavam para a Odebrecht, a Lava Jato realiza hoje a 36ª fase e tem como os principais alvos Adir Assad e Rodrigo Tacla Duran. Os dois são apontados em delação como operadores utilizados para pagamentos indevidos pelo Setor de Operações Estruturadas, o departamento da propina. Enquanto Assad já se encontra preso por ter sido avo de outras fases da Lava Jato, em Curitiba e no Rio de Janeiro, Tacla Duran está no exterior.

Segundo Vinicius Borin, delator que atuava no banco comprado por funcionários da empresa no exterior para efetuar pagamentos irregulares, as offshore utilizadas por Tacha Duran eram utilizadas nas operações chamadas de “kibe” e “dragão”- está última que dá nome a operação deflagrada hoje pela Polícia Federal e Ministério Público Federal.



O advogado Rodrigo Tacla Duran, apontado como um dos operadores das offshores criadas pelo “departamento de propina da Odebrecht”, recebeu R$ 36 milhões de empreiteiras investigadas na Lava Jato, entre elas, a UTC, Mendes Júnior e EIT. Os dados constam em pedido de quebra de sigilo de empresas que, segundo o MPF, são suspeitas de escoar a propina da Mendes Júnior.  Somente da Mendes Júnior, o escritório Tacla Duran Sociedade de Advogados, entre 2011 e 2013, recebeu R$ 25 milhões. Da UTC foram R$ 9 milhões e da EIT outros R$ 2 milhões.

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O Estado apurou que no caso da Mendes Júnior, os repasses ao operador são explicados na proposta de delação premiada em negociação com a Procuradoria-geral da República. Os valores seriam destinados a agentes públicos envolvidos em irregularidades em obras da Petrobras e no governo do Rio de Janeiro.

Até então, os investigadores tinham conhecimento apenas da atuação de Tacla Duran em transações envolvendo as contras secretas da Odebrecht. Com a quebra de sigilo das construtoras, os investigadores descobriram que duas empresas de TaclaDuran foram beneficiárias de pagamentos milionários.

Além da Odebrecht, Mendes Júnior, UTC e EIT, o MPF também mapeou a relação de Tacla Duran com ao menos outras duas empreiteiras e dois operadores presos pela Lava Jato. A Treviso, de Julio Camargo, operador da Toyo Setal e atualmente delator, repassou R$ 350 mil para o escritório do advogado. Por sua vez, outra empresa de Tacla Duran, a Econocell do Brasil, repassou R$ 3,5 milhões para empresas de Adir Assad, apontado como operador da Delta Engenharia e de outras construtoras.



O advogado foi citado na delação de Vinicius Veiga Borin – executivo dos bancos Antigua Overseas Bank (AOB) e Mein Bank – como um dos responsáveis por criar e operar offshores da Odebrecht. De acordo com Borin, Tacla Duran era responsável por um grupo de offshores utilizadas para operacionalizar os pagamentos efetuados pelo Departamento de Operações Estruturadas, nome oficial da central de propinas da empreiteira, segundo os investigadores da Lava Jato.


O Departamento de Operações Estruturadas foi alvo da 23.ª etapa da Lava Jato, que levou à prisão do marqueteiro João Santana, sua mulher e sócia, Mônica Moura, além do próprio Borin. Foi a partir da Operação Acarajé – assim batizada em referência a um dos nomes usados nas planilhas da contabilidade paralela da Odebrecht para propinas – que a força-tarefa da Lava Jato chegou ao núcleo dos pagamentos ilícitos da empreiteira.

Em relatório sobre as empresa de Tacla Duran solicitado pelo MPF, a Receita Federal aponta que “são fortes os indícios de participação” de Rodrigo tacla Duran “no desvio e lavagem de dinheiro oriundo da corrupção apurada pela Operação Lava Jato, inclusive seu envolvimento com outros operadores deste esquema, como Adir Assad e Alberto Youssef”.
No caso do escritório Tacla Duran Sociedade de Advogados, segundo a Receita, no período em que supostamente prestou os serviços contratados pelas empreiteiras, o Tacla Duram “não declarou nenhum funcionário ou qualquer pagamento a contribuintes individuais”. A ausência de funcionários, afirma a Receita, “demonstra a manifesta incompatibilidade da estrutura da sociedade com as atividades que alegou ter prestado”.

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Fabio Serapião, Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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