terça-feira, 22 de novembro de 2016

Para jornal britânico, ação contra Lula na Lava Jato será o julgamento do século na América Latina


Imagem: André Dusek / Estadão
Em reportagem publicada na edição desta terça-feira, 22, o jornal britânico Financial Times (FT) diz que o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da Operação Lava Jato vai ampliar as divisões no Brasil. Segundo a publicação, o legado do antigo líder popular será testado em tribunal. "Em um ano já tumultuado e marcado pelo processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, os brasileiros estão se preparando para o que promete ser o julgamento do século da América Latina - o início das audiências de corrupção contra seu antecessor e mentor, Lula da Silva", escreveu o correspondente, em São Paulo, Joe Leahy.

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Segundo o jornal, um veredicto de culpa contra o líder do PT poderia desencadear protestos políticos em um momento em que o novo governo do ex-vice-presidente de Rousseff, Michel Temer, tenta restaurar a confiança no País com reformas fiscais sensíveis por meio do Congresso. O jornal cita um trecho da entrevista que Temer concedeu ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na segunda-feira, 14: "Imagine a mera ideia de que Lula poderia ir para a prisão? Ele é um ex-presidente, ele foi presidente duas vezes. Que isso pode causar problemas, não tenho dúvidas ", disse o presidente.

A publicação diz ainda que o julgamento - que se iniciou na segunda-feira, 21, com os depoimentos de testemunhas de acusação - será o ápice de mais de dois anos de investigações sobre o maior esquema de corrupção do Brasil, um escândalo de suborno na estatal Petrobrás. "O julgamento vai questionar o legado de um homem cujos apoiadores o consideram um herói por reduzir a pobreza durante seus oito anos no poder entre 2003 e 2010, mas que, de acordo com os críticos, se trata de um populista que usou dinheiro público e ajudou a inaugurar a pior recessão do Brasil em um século", afirma a reportagem.

O FT lembra que Lula já sobreviveu a escândalos de corrupção e diz que integrantes do antigo círculo íntimo de seu Partido dos Trabalhadores foram presos em 2013 por um esquema de compra de votos - o mensalão. "Desta vez, no entanto, os promotores acreditam que têm provas suficientes para condená-lo.", diz o texto. Os promotores, continua a reportagem, "o acusam de aceitar favores de empresas de construção civil em troca de contratos na Petrobrás. Estes incluem um apartamento à beira-mar e um sítio, que estaria no nome de outra pessoa. Eles também alegam que Lula ajudou a maior construtora brasileira, a Odebrecht, a conquistar contratos em Angola com recursos do BNDES, banco estatal de desenvolvimento do País."

Ouvidos pelo jornal britânico, os advogados de defesa de Lula alegaram que o juiz responsável pela lava Jato na 1ª instância, Sérgio Moro - tratado na reportagem como "o duro juiz anti-corrupção" - e os promotores da força-tarefa violaram o direito de Lula à privacidade e à presunção de inocência em sua perseguição do caso. O FT lembra que, em março, Moro publicou gravações de Lula falando em particular com Dilma e outros interlocutores, incluindo o seu advogado. Dias depois, o STF proibiu o uso das gravações como prova.

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Célia Froufe
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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