domingo, 27 de novembro de 2016

PF analisa gravações feitas por ex-ministro Marcelo Calero


Imagem: Reprodução / Estadão
A Polícia Federal analisa as gravações apresentadas pelo ex-ministro Marcelo Calero como prova de que foi pressionado por integrantes do governo Temer a tomar uma decisão que favorecia interesses pessoais do agora ex-ministro Geddel Vieira Lima.

Calero informou à PF que gravou o presidente Michel Temer, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Geddel, além de outros servidores do Planalto. Ele entregou para a PF esses áudios que comprovariam suas acusações. Em depoimento à Polícia Federal, Calero afirmou ter recebido pressão de Temer e seus subordinados para que a decisão final sobre liberar ou não a construção de um prédio residencial em Salvador fosse da AGU e não do Iphan, órgão subordinado a pasta da Cultura, que já havia se posicionado contra. Geddel comprou um apartamento na planta nesse empreendimento.

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Conforme investigadores, o equipamento utilizado para as gravações não era profissional e a qualidade do áudio captado é ruim. Por essa razão, as gravações estão sendo submetidas a tratamento técnico. Segundo relatos, em algumas conversas o áudio está muito ruim, o que dificulta ouvir os registros das gravações. Em outras, por outro lado, está muto bom.

Dessa forma, ainda não é possível dizer quais trechos do diálogo com o presidente Temer relatados por Calero no depoimento foram captados pela gravação.

A Polícia Federal só irá encaminhar os áudios para a Procuradoria-geral da República após verificar se o conteúdo confere com as informações prestadas ou sugerem outras irregularidades envolvendo pessoas com foro. Para isso, é preciso concluir o trabalho de análise do material entregue por Calero.

A PF não pode investigar políticos com prerrogativa de foro sem autorização do STF. Por isso, nessa etapa de análise a perícia não deve entrar no mérito sobre se as vozes que aparecem nas gravações são de Temer, Geddel e Padilha, como atesta Calero.

O ex-ministro da Cultura falou à PF no sábado, 19 de novembro. Um delegado que atua em Brasília foi ao Rio de Janeiro para tomar o depoimento.

Ele disse que recebeu três telefonemas do então colega Geddel para tratar da liberação da obra de um prédio em Salvador, além de dois encontros. Com o ministro Padilha foram dois telefonemas e uma reunião.

Com o presidente Temer ele narrou três conversas. Duas delas no mesmo dia 17 de novembro, no Palácio do Planalto. Calero já havia se reunido com o presidente e retornou no final da tarde.

‘Especulação’. O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse que o episódio terá que ser analisado. “O processo está sob sigilo. Os boatos sobre se há ou não gravações serão apurados para verificar em que condições foram feitas (as gravações), se é que foram feitas”, afirmou Moraes em evento do PSDB, em Brasília.

Mais tarde, em São Paulo, o ministro voltou ao tema. “O próprio ministro Calero emitiu nota (mais informações nesta página) e não deixou claro se houve gravações. O primeiro ponto é: houve ou não? Houve de quem e o que fala? Antes disso é uma especulação muito grande”, afirmou.

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Andreza Matais
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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