segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Procurador que foi demitido ao investigar Lula recorre ao Supremo


Imagem: Reprodução / DP
O procurador da República Douglas Kirchner, demitido do Ministério Público Federal em abril deste ano por determinação do Conselho Nacional do MP (CNMP), recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para voltar ao cargo. A defesa acredita em perseguição política contra o servidor após ele abrir um inquérito que investiga o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por tráfico de influência no Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES).

O advogado que entrou com a ação, Ivan Morais Ribeiro, o mesmo que conseguiu suspender a Operação Métis da Polícia Federal no STF, diz que decidiu recorrer ao Supremo porque suspenderam o estágio probatório de Douglas. "Nós entendemos isso como um equívoco", disse.

Leia também: 

No mandado de segurança, a defesa elenca provas que seriam contundentes de que o procurador foi 'perseguido politicamente por um governo que foi deposto por cometer crimes políticos, tendo seu líder maior pedido claramente a 'cabeça' do impetrante, o que foi executado por seus seguidores que ocupavam altos cargos no Parquet federal'.

O advogado se refere aos áudios divulgados pela Operação Lava Jato em março deste ano. Em uma conversa grampeada entre Lula, recém-nomeado ministro da Casa Civil, e o ex-ministro Paulo Vannucchi, o ex-presidente afirma que estava colocando a senadora Fátima Bezerra (PT-PB) e a deputada Maria do Rosário (PT-RS) para acompanhar de perto o procurador que o investigava, Douglas Kirchner. No diálogo, Lula se refere às feministas do partido de forma grosseira, como "grelo duro", o que causou indignação nas redes sociais.

“Cadê as mulheres do grelo duro do nosso partido?”, disse Lula a Vannucchi.

"O problema é o seguinte, Paulinho. Nós temos que comprar essa briga. Eu sei que é difícil, sabe. Às vezes fico pensando até se o Aragão devia cumprir um papel de homem nessa porra. O Aragão parece nosso amigo, parece, parece, parece, mas tá sempre dizendo olha… sabe. Nós vamos pegar esse de Rondônia", esbravejou Lula. Aragão, citado, é Eugênio Aragão, então subprocurador-geral da República que depois seria nomeado ministro da Justiça de Dilma Rousseff.

O ministro Celso de Mello, decano do STF, será o relator do processo, que não tem prazo para julgamento.

Entenda o processo

O procurador foi acusado de maus-tratos à sua ex-mulher, em uma seita em Rondônia, onde congregavam. De acordo com o processo, Kirchner e a pastora da Igreja Evangélica Hadar Eunice Batista Pitaluga ofenderam a integridade corporal e a saúde da esposa do procurador, além de terem privado a liberdade dela por meio de cárcere, que resultou em sofrimento moral à vítima. Segundo os autos, a pastora teria agredido, com um cipó, a esposa do procurador, que presenciou o ato e nada fez para evitar a agressão. A corregedora-geral do MPF foi até o local na época dos fatos com uma comissão e registrou que Kirchner não agrediu a mulher.

No processo que correu no Conselho Superior do MPF, a defesa do procurador foi feita por Janaína Paschoal, e os membros decidiram por não exonerar o procurador. O pai da suposta vítima declarou que a filha teria lhe confessado que 'era tudo mentira', que não havia sido agredida. No CNMP, ele foi ouvido, mas seu depoimento foi desconsiderado pelo relator.

Veja também: 

 
 



Elijonas Maia
Diário do Poder
Editado por Folha Política
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

UOL Cliques / Criteo

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...