segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Colunista explica estratégia de Marcelo Odebrecht para sair da cadeia


Imagem: Reprodução / Redes sociais
O colunista Jorge Oliveira, do Diário do Poder, explicou como o empreiteiro Marcelo Odebrecht está utilizando uma estratégia para conseguir sua liberdade, baixas penas para seu pai e diretores da empresa, e ainda proteger os políticos mais importantes envolvidos no esquema de corrupção. 


Leia abaixo o texto de Jorge Oliveira: 

A estratégia Bisol está dando certo. Com a delação apenas de dois executivos, dos 77 que prometem abrir o bico, o Brasil assustou-se com a quantidade de políticos envolvidos na corrupção da Odebrecht. A construtora mostra que não se especializou apenas em obras de infraestrutura pelo mundo, ela desenvolveu eficientemente uma organização criminosa de dar inveja à máfia siciliana, a mais cruel e impiedosa do mundo. E o capo di tutti capi dessa estrutura, Marcelo, que já está há mais de um ano na cadeia, é o grande líder de toda essa logística.
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A ociosidade na cadeia levou Marcelo a bolar a fórmula genial de entregar todos os políticos cúmplices das suas bandalheiras e ao mesmo tempo tirá-lo da cadeia e livrar dela todos os seus executivos. Ele já se utilizou dessa estratégia em outro tempo, mas dessa vez a aprimorou porque teve tempo de sobra para estudar os detalhes da operação seguinte atrás das grades.
Em 1993, quando o senador José Paulo Bisol relatou à CPI das empreiteiras, a Odebrecht vazou uma lista com 200 nomes de políticos que se alimentavam da sua caixinha. Até garrafas de uísque estavam na lista dos mimos aos seus parlamentares servis. É claro que isso tumultuou o processo e a comissão não prosperou. Acabou em pizza, mas deu notoriedade ao político gaúcho.
Ao ser preso, Marcelo negou-se a abrir o livro de bondades da sua empresa. Sabia que a Dilma se movimentava para tirá-lo da cadeia. E como bem disse Delcídio do Amaral a carta que tinha na manga era a do ministro do STJ Ribeiro Dantas que chegou ao tribunal pelas mãos dela. O ministro, relator da Lava Jato, votou pela liberdade de Marcelo, mas a trama foi descoberta e só restou ao empreiteiro desenvolver na cadeia o seu próximo e espetacular ardil. Orientou Emílio, o pai, e aos mais de cem executores a embananar toda operação Lava Jato.
Mas para por em prática a sua ação, ele precisava da garantia dos procuradores da Lava Jato de que seria solto, seu pai condenado a uma pena domiciliar e os seus executivos, a quem ele prometeu somas indenizatórias milionárias, perdoados. Ávidos para conhecer o segredo da relação da empresa com os políticos, os procuradores da operação contra a corrupção mais bem-sucedida do mundo, toparam a proposta. Não se deram conta, porém, de que Marcelo apostava na lentidão do STF que iria dar prosseguimento aos processos da operação pós Lava Jato.
E assim começam a surgir as primeiras delações, verdadeiras bombas, que ocupam páginas e mais páginas do processo da Lava Jato. Como aperitivo, veio à tona o depoimento de Cláudio Melo Filho, diretor de Relações Institucional da empresa, uma espécie de Relações Públicas, que intermediava os contatos entre os políticos e a Odebrecht. De relógios milionários presenteados a dinheiro vivo para as campanhas, o cara não poupou ninguém com quem teve relações nos últimos vinte anos.
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Na lista dos executivos entregue para depor, o RP é uma peça menor. Ele apenas comunica à cúpula da empresa qual o político apto a receber a propina para servir a Odebrecht no parlamento. Ele não é o pagador. Por isso é que os nomes revelados causam mais impacto do que propriamente a propina distribuída: R$ 88 milhões para 48 políticos. Por enquanto muito pouco para uma empresa que fatura bilhões em troca desses favores. Os diretores seniores, aqueles que botam a mão na massa, ainda vão demorar a aparecer.
Faz parte da estratégia da Odebrecht para enganar os investigadores da Lava Jato entregar para delação primeiro o segundo escalão. Assim, eles atendem aos anseios dos procuradores e vão protelando os depoimentos mais importantes. A exemplo do caso Bisol, nessa fase, os delatores misturam presentes pessoais, doação legal de campanha e caixa dois para tumultuar o processo.
Ora, se a força tarefa da Lava Jato, empenhada em descobrir os bilhões que chegaram às mãos dos políticos pelas empreiteiras, trabalham dia e noite para desenrolar o novelo da corrupção, imagine como seria essa operação no STF, um tribunal lento e atolado com quase 60 mil processos, mais de sete mil só da Lava Jato. Estamos correndo o risco da impunidade. De ver esses processos serem engavetados no tribunal das tartarugas.
Apenas para lembrar a conspiração: consta do celular de Marcelo Odebrecht, quando foi preso, um alerta aos seus diretores: “armadilha Bisol/contra-infos”. Genial!

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Luciana Camargo
Folha Política
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