quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Ex-mulher de Cabral não sabia que seu cartão de crédito de R$ 50 mil era pago com dinheiro ilícito, diz advogado


Imagem: Reprodução / Facebook
O advogado de Suzana Neves, ex-mulher de Sérgio Cabral, afirmou nesta quinta-feira (25) que sua cliente desconhecia a origem do dinheiro dado a ela pelo ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, preso pela Polícia Federal sob suspeita de chefiar um esquema de corrupção e cobrança de propina.


Segundo Sérgio Riera, que chegou nesta manhã à sede da PF para acompanhar o depoimento de Suzana, os valores recebidos representavam uma "espécie de pensão", pois Cabral e ela tiveram três filhos --entre os quais o deputado federal Marco Antônio Cabral (PMDB). Suzana chegou de carro à sede da Polícia Federal e entrou direto pelo estacionamento, por volta das 10h.

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"Ela não diz que houve qualquer benefício. Ela não sabe a origem. Haviam pagamentos que eram feitos, como já saiu na imprensa, mas ela não sabia a origem. Para ela, eram valores lícitos", afirmou Riera.

"Era uma espécie de pensão, mas não havia nada judicializado em relação a isso. Mas eram valores para arcar custos", completou.

Suzana foi levada coercitivamente nesta manhã para depor na PF. Além disso, policiais estão em sua residência cumprindo mandado de busca e apreensão --recolhendo documentos e possíveis provas.

As ordens foram expedidas no âmbito da Operação Eficiência, realizada nesta quinta. A ação é um desdobramento da Operação Calicute, com investigações da Operação Lava Jato.

Riera afirmou que Suzana não esperava ser alvo de condução coercitiva, mas que ela está "tranquila e vai responder todas as perguntas". "Surpreende qualquer um ser acordado de manhã cedo com a polícia batendo na porta", disse.

O advogado declarou ainda que sua cliente teria comparecido à PF caso fosse "convidada". "Poderiam ter intimado ela. Ela viria e responderia a todas as perguntas. Não havia necessidade dessa violência."

Valores

Os procuradores identificaram que parte da propina recebida pelo grupo era destinada a ela também, inclusive para pagar contas da família. Seu nome já havia aparecido na Operação Calicute, quando foi encontrado o codinome "Susi" nas planilhas de pagamentos dos operadores de Cabral, que somavam R$ 883 mil entre 2014 e 2016.

Agora, com as delações premiadas de dois operadores do mercado financeiro, os irmãos Marcelo e Renato Chaber, o MPF aponta que "os valores distribuídos à Susana Cabral eram de maior monta" e que também eram utilizadas as expressões "manoel", "manuel" ou até "motorista-manuel" para se referir aos repasses em dinheiro em espécie para ela buscados pelo motorista Manoel, da família.

Os delatores entregaram uma planilha detalhando os pagamentos a ela e admitiram que pagaram até contas de cartão de crédito de Susana de R$ 50 mil, além de outras despesas como 'IPVA, conta de luz, gás e escola'. Os repasses dos delatores para a ex-mulher de Cabral entre 2014 e 2015 somam R$ 274 mil.

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Editado por Folha Política
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