sábado, 25 de fevereiro de 2017

Filho do governador do Pará é indiciado pela Polícia Federal


Imagem: Reprodução / TV Liberal
A Polícia Federal indiciou o filho do governador do Pará, Alberto Jatene, pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Ele havia sido preso durante a operação "Timóteo" da polícia federal em 16 de dezembro, mas foi solto por um habeas corpus no dia 18 do mesmo mês. O G1 tenta contato com o advogado de Alberto, mas ainda não foi atendido.


Ao todo 50 pessoas foram indiciadas pela operação Timóteo desde dezembro de 2016, entre elas Alberto Jatene e o pastor Silas Malafaia.  A informação foi divulgada nesta sexta-feira (24). A Polícia Federal informou que não irá comentar o caso, já que a apuração das irregularidades corre em segredo de justiça.

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Alberto Jatene é assessor jurídico do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas dos Municípios do Pará. Segundo a polícia, por conta do seu cargo ele teria recebido R$ 750 mil de um escritíorio de advocacia que intermediava contratos fraudulentos para exploração mineral no intuito de conceder vantagens ao grupo criminoso.

O governador do Pará, que cumpre agenda no interior do estado, não se manifestou sobre o indiciamento do filho. Na época da prisão, Simão Jatene (PSDB) publicou um vídeo nas redes sociais defendendo a conduta de Alberto.

"Como pai, eu não posso deixar de registrar a profundar dor e estranheza que me causou ver o nome do meu filho, cuja história não sugere ou registra qualquer desvio de conduta, figurar na referida operação. Preocupado em ser justo e não fugir à verdade, fiz questão de ler centenas de páginas para constatar que meu filho, Alberto, é mencionado poucas vezes e de forma absolutamente superficial, como se mostrará adiante", disse o governador na gravação.

O esquema criminoso
A operação Timóteo ocorreu em 11 estados e no DF. Ela foi batizada desta forma em referência a um dos livros da Bíblia. A organização criminosa, de acordo com a PF, agia junto a prefeituras para obter parte dos 65% da chamada Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) repassada aos municípios. Em 2015, o CFEM acumulou quase R$ 1,6 bilhão.

Ainda conforme os investigadores, munidos das informações, os suspeitos entravam em contato com municípios que tinham créditos do CFEM junto a empresas de exploração mineral para oferecer seus serviços.

As investigações da Operação Timóteo apontam que a suposta organização criminosa era dividida em, pelo menos, quatro grandes núcleos:

- o núcleo captador, formado por um diretor do DNPM e pela mulher dele, que, segundo a PF, prospectavam prefeitos interessados em ingressar no esquema;

- o núcleo operacional, composto por escritórios de advocacia e uma empresa de consultoria registrada no nome da esposa do diretor do DNPM, que comandava o esquema de corrupção. Esse núcleo, afirma a PF, repassava valores indevidos a agentes públicos;

- o núcleo político, formado por políticos e servidores públicos responsáveis pela contratação dos escritórios de advocacia integrantes do esquema;

- o núcleo colaborador, que, conforme os policiais, era responsável por auxiliar na ocultação e dissimulação do dinheiro desviado. Entre os integrantes desse núcleo, diz a PF, está Malafaia, que recebeu dinheiro do principal escritório de advocacia responsável pelo esquema. A PF apura se ele emprestou contas bancárias da instituição que ele comanda para ocultar a origem supostamente ilícita do dinheiro.

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G1
Editado por Folha Política
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