sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Investidores estrangeiros estão preocupados e temem até "desastre" se Lula for eleito em 2018, diz Forbes


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O Brasil finalmente está no caminho para a recuperação econômica, algo que vem animando os mercados significativamente. Conforme destaca a Forbes, o mercado de ações do Brasil, medido pelo fundo iShares MSCI Brasil (EWZ), subiu 20% este ano: "nenhum país pode fazer melhor para Wall Street".

Contudo, o colunista do site da revista, Kenneth Rapoza, ressalta que o mercado está preocupado com o País, já de olho em 2018. 

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De acordo com o colunista, existe uma faísca de preocupação lá fora que tem menos a ver com o aumento dos preços dos títulos brasileiros e mais a ver com a indicação de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode voltar ao poder em 2018.

"Lula é visto por muitos como o comandante por trás do terrível escândalo da Petrobras, deflagrado pela Operação Lava Jato. O PT sofreu um grande golpe nas eleições municipais de outubro do ano passado. Ainda assim, Lula não pode ser descartado como um forte candidato à presidência em 2018. Ele é, de longe, a maior estrela política do Brasil. E na era dos cultos de personalidade, mesmo sendo um herói ultrapassado, ele pode retornar... e vencer. Suas chances são maiores ainda se a economia não crescer o bastante para aumentar o emprego, afirma o colunista, citando as últimas pesquisas eleitorais que mostram o ex-presidente liderando o pleito. 

"Em um mundo de Brexit e Donald Trump, não seria nada de tão fabuloso ver Lula ganhando e assumindo o país em 2018", avalia a Forbes.

O colunista ouviu a opinião de diversos especialistas de mercado, sendo que poucos deles mostraram otimismo com a volta de Lula que, em 2002, foi visto com grande ceticismo pelo mercado, mas que tinha conseguido contornar as expectativas nos anos seguintes. 

Mike Reynal, gerente de fundos da Sophus Capital em Des Moines e um investidor de longa data no Brasil, acredita que seria ruim para a economia um retorno de Lula em 2018. "Uma nova presidência de Lula seria manchada de lembranças de corrupção, má administração e burocracia judicial ligadas à presidência de Dilma", diz Reynal. No momento, a Sophus está overweight (exposição acima da média do mercado) no País. De acordo com ele, uma vitória de Lula aumentaria o risco soberano e o ceticismo do mercado. 

Fernando Bergallo, diretor da FB Capital em São Paulo. foi além: "a reforma previdenciária é a próxima grande política a ir para o Congresso. Uma vitória de Lula acabaria com tudo isso. Sem dúvida, Lula seria um desastre para as finanças do país, e traria pânico para os mercados financeiros assim que os investidores começassem a acreditar na vitória de Lula". 

A Forbes ressalta que Lula presidiu um período notável na história do Brasil, não visto desde os chamados anos milagrosos da ditadura na década de 1970, com a inflação e os juros caindo e um maior acesso da população aos bens de consumo. "Ele foi louvado pelo mundo. Mas quando o superciclo de commodities terminou, Dilma não pôde continuar com essas políticas. O governo estava ficando sem dinheiro. De fato, vários estados brasileiros têm um ranking de crédito pior do que o da Venezuela, país que vive uma verdadeira crise". 

"O ciclo de commodities ajudou os pobres, mas não é isso o que os pobres acreditam: eles acreditam que Lula os tirou da pobreza. Agora, as commodities estão subindo novamente", diz Fernando Pertini, CEO da Millenia Asset Management International no Panamá. Contudo, eles ressaltam que isso não muda a visão positiva sobre o Brasil. "As estrelas estão se alinhando em termos de fundamentos". 

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A Forbes ressalta que, durante os anos Lula, investidores assistiram a uma rápida expansão do papel do governo na economia, citando ainda o crescimento da Odebrecht no período (que agora é uma sombra no legado do ex-presidente). O colunista destaca novamente que, mesmo investigado, Lula pode concorrer para o cargo e tem uma séria chance de se candidatar. 

Do ponto de vista da narrativa política, tudo o que ele tem a fazer é parecer um pouco humilde, e "garantir para aqueles que o apoiaram há anos atrás que a corrupção que aniquilou mais de 70% da capitalização de mercado da Petrobras acabou". Segundo Rapoza, ele deveria comunicar ao Brasil o início de uma nova história. "Em vez de 'Lula Paz e Amor', seria 'Lula Perdoar e Esquecer'. Esse poderia ser o seu lema".

O colunista aponta ainda que a eleição presidencial será em outubro de 2018 e não existem candidatos declarados até o momento. Até agora, o ex-presidente aparece como o principal nome. 

"Se ele vencer em 2018, seria um enorme retrocesso na luta contra a corrupção e representaria um declínio bastante significativo na confiança das empresas no Brasil", diz Joao Gabriel Barros, sócio da Libra Energia, avaliando que haveria uma fuga de capitais. 

Contudo, Rapoza faz uma ressalva: "todo mundo tem um preço". Essa saída de capital com a eleição de Lula acabaria por tornar o Brasil barato demais para ser ignorado e o dinheiro retornaria. Por outro lado, o governo brasileiro e as suas empresas não devem contar com esse fluxo, especialmente se Lula adotar políticas semelhantes a de Trump e adotar políticas de conteúdo nacional. "Isso vai tirar muito dinheiro da mesa e manter o Brasil dependente de seu mercado local em um momento em que seu mercado local está lutando para encontrar compradores", afirma a publicação.


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Lara Rizério
Infomoney
Editado por Folha Política
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