quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Marcelo Odebrecht depõe na ação de cassação da chapa Dilma-Temer


Imagem: Heuler Andrey / AFP
O empresário Marcelo Odebrecht, conhecido como "Príncipe" entre as maiores empreiteiras do país, vai prestar depoimento na próxima quarta-feira, em Curitiba, no processo que pode resultar na cassação do mandato do presidente Michel Temer (PMDB). O relator do processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Herman Benjamin, desembarcará na capital paranaense para ouvir Odebrecht e mais dois ex-diretores da companhia, entre eles o ex-diretor de Relações Institucionais Cláudio Melo Filho. Os depoimentos estão agendados para as 14h30 e serão sigilosos.


As oitivas dos três foram autorizadas pelo ministro Edson Fachin, relator dos processos da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), após parecer favorável do procurador-geral da República Rodrigo Janot. Preso desde junho de 2015 em Curitiba, Odebrecht se tornou delator do petrolão depois da avalanche de provas recolhidas contra o conglomerado do qual é herdeiro.

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Nos depoimentos, Marcelo e os demais ex-executivos abordarão temas relacionados aos ainda sigilosos depoimentos de delação da Odebrecht e falarão de como o conglomerado atuou no financiamento da chapa formada por Dilma Rousseff e Michel Temer nas eleições de 2014. Os depoimentos dos 77 delatores da Odebrecht ainda são confidenciais e devem se tornar públicos dias após o feriado de Carnaval.

Em dezembro, a revista Veja publicou a íntegra dos anexos da delação de Claudio Melo Filho, que decidiu colaborar com a justiça depois de trabalhar por doze anos na cúpula da Odebrecht. Em 82 páginas, ele conta como a maior empreiteira do país comprou, com propinas milionárias, integrantes da cúpula dos poderes Executivo e Legislativo. O relato atinge o presidente Michel Temer, que pediu 10 milhões de reais a Marcelo em 2014. Segundo o delator, esse valor foi pago, em dinheiro vivo, a pessoas da estrita confiança de Temer, como Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil, e José Yunes, amigo há cinquenta anos de Temer e ex-assessor especial do presidente. A delação de Melo também inclui políticos que integram a base de sustentação do governo Temer no Congresso, todos identificados com codinomes na lista de pagamentos – “Justiça” é o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), “Caju” é o senador e líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR), “Índio” é o atual presidente do Senado Eunício Oliveira e “Botafogo”, o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ).

As oitivas de Marcelo Odebrecht e de seus ex-subordinados devem ser uma das últimas etapas antes de o ministro Herman Benjamin liberar para julgamento o processo que pode resultar na cassação de Temer e na declaração de inelegibilidade do peemedebista e da presidente cassada Dilma Rousseff.

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Rodrigo Rangel e Laryssa Borges
Veja
Editado por Folha Política
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