domingo, 5 de fevereiro de 2017

'Nem a máfia chegou a esse ponto', afirma escritor sobre uso político, por Lula, da morte de Marisa


Imagem: Montagem / Folha Política
Augusto de Franco, estudioso de democracia e redes, comparou o comportamento de Lula, que fez um comício político no velório da esposa, com o dos chefes das família de mafiosos: "Nem a Máfia ousava fazer tanto. Mesmo quando o chefe de uma família era assassinado e os mandantes compareciam ao velório, mantinha-se o respeito e o decoro".

Leia abaixo o texto completo: 

MARISA
Não se deve desejar ou comemorar a morte de ninguém. As pessoas que aproveitaram a morte de Marisa para atacar Lula erraram. E eu repudio todas as agressões à Marisa (que conheci pessoalmente, há mais de 30 anos). Mas também não se deve instrumentalizar a morte de alguém - sobretudo de um ente querido - para propósitos políticos. 
Transformar o velório de Marisa num ato político e atribuir a culpa à operação Lava Jato vai além do aceitável. Ontem tuitei que só um psicopata teria coragem de fazer isso: instrumentalizar a morte da própria mulher para a luta política. Reafirmo o que disse. Porque Lula não apenas consentiu que se armasse um palanque no velório (com decoração e tudo e até um banner gigantesco em que ele próprio aparecia com mais destaque ao seu lado). Foi pior. Ele "subiu" no palanque e discursou. Chamou os integrantes da força-tarefa de facínoras, sugerindo que a morte de Marisa foi de algum modo causada pelos agentes do Estado democrático de direito, que estão apenas obedecendo as leis. Isso é falso. E revoltante. 
Não foram as pessoas que usaram erradamente a morte de Marisa para atacar Lula o alvo do evento e sim os que estão cumprindo seu dever de investigar os crimes cometidos por Lula, que envolveram, sim, sua família (sua mulher e seus filhos). Os que criticam corretamente Lula não têm nenhuma responsabilidade pelo fato dos seus familiares estarem sendo investigados e processados. 
Quem atravessou o sinal - aproveitando um momento de dor, que deveria ser privado, para atacar os que consideram inimigos - foram os dirigentes e militantes do PT sob o comando dele, o líder-candidato. Nem a Máfia ousava fazer tanto. Mesmo quando o chefe de uma família era assassinado e os mandantes compareciam ao velório, mantinha-se o respeito e o decoro.

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Luciana Camargo
Folha Política
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