terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Odebrecht pode enfraquecer governos da América Latina e afetar PIB de toda a região


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Escândalos envolvendo a construtora Odebrecht estão de forma crescente implicando mais líderes da América Latina. As denúncias de corrupção têm potencial para enfraquecer governos na região, provocar crises políticas e afetar negativamente a atividade econômica de vários países, avalia a consultoria de risco político Eurasia, com sede em Nova York.


Além do Brasil, entre os países mais vulneráveis da América Latina às investigações de corrupção em contratos da construtora estão Peru, Colômbia, República Dominicana, Equador e Panamá. O México também pode ser alvo de novas descobertas de irregularidades, o que pode criar um ambiente complicado em um momento que as autoridades do país já vêm enfrentando crescentes denúncias de corrupção. Para a Argentina, a Eurasia prevê impacto mais limitado das revelações da Odebrecht, por conta da mudança recente de comando do país. As revelações podem afetar mais a gestão anterior, da presidente Cristina Kirchner.

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Um força-tarefa entre procuradores no Brasil e dez outros países da região foi criada para cuidar do caso. O envolvimento em escândalos de corrupção de economias como Panamá, Peru e Venezuela em contratos da Odebrecht ganhou força quando a empresa brasileira assinou, em dezembro de 2016, acordo de leniência com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, revelando como eram as práticas de pagamento de propinas a políticos para conseguir obras em vários países.

A divulgação de delações de executivos da Odebrecht pode conter um "dilúvio de informações" que certamente afetarão líderes de países importantes da América Latina, ressalta a análise da Eurasia. "Os governos que trabalharam diretamente com a Odebrecht ou têm vínculos com administrações anteriores já estão pagando um custo político por suas conexões com a empresa, mesmo que não tenham sido diretamente envolvidos", destaca o relatório, mencionando que os presidentes de países como Colômbia, Equador, Peru e Panamá já viram suas taxas de aprovação caírem nas pesquisas. Reportagem do Estado publicada ontem revela que o efeito da Lava Jato ameaça contratos de US$ 16 bi da Odebrecht no exterior.

Financiamento 

Pelo lado econômico, os escândalos envolvendo a Odebrecht podem criar problemas de financiamento para projetos de infraestrutura na região, o que vai pressionar as contas públicas de países que já estão com situação fiscal complicada, destaca o documento. Na República Dominicana, por exemplo, o governo de Danilo Medina pode ter que desembolsar US$ 500 milhões para garantir o término de uma obra de carvão, o que vai dificultar o ajuste fiscal em curso no país. No Panamá, um consórcio de bancos saiu do financiamento de obras do metrô e o governo local está buscando formas alternativas de financiar US$ 1,2 bilhão.

"Projetos atrasados terão impacto no crescimento na região", afirma o relatório da Eurásia. Um dos casos mais graves é o do Peru, onde o governo do presidente Pedro Pablo Kuczynski vem apostando em projetos de infraestrutura para fazer face à queda esperada da produção de cobre. A Odebrecht conseguiu projetos importantes no país, que agora estão parados e podem sofrer atrasos consideráveis. Nesse ambiente, o governo peruano cortou a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do país de 4,8% para 3,8% em 2017.

Renúncia 

Os escândalos de corrupção podem se transformar em crises políticas caso os atuais presidentes sejam diretamente implicados, ressalta a Eurasia. A consultoria não descarta que alguns líderes podem ser forçados a renunciar, caso as denúncias levem ao aumento da insatisfação da população e de protestos nas ruas. O relatório ressalta que os presidentes do Panamá, República Dominicana e Colômbia já sofreram acusações de aceitar financiamento de campanha da Odebrecht.

Mesmo que os presidentes envolvidos em denúncias de corrupção sobrevivam na região, a Eurasia acredita que os escândalos vão contribuir para minar a credibilidade na classe política tradicional e abrir espaço para que candidatos menos convencionais ganhem visibilidade e apoio da população. Brasil, México e Colômbia terão eleições em 2018 e nomes ligados ao combate à corrupção ou com perfil menos associado a políticos tradicionais podem ficar mais competitivos nas urnas, conclui o relatório.

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Altamiro Silva Junior
Broadcast Político
Editado por Folha Política
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