terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Políticos investigados por corrupção envolvem os próprios filhos nos esquemas de desvio


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Em algumas residências, a Operação Lava-Jato pode ser tratada, literalmente, como um caso de família. Muitos dos políticos que faziam parte do esquema de corrupção entre partidos e empreiteiras também envolveram os herdeiros nas tramoias para desviar recursos públicos. No Brasil, não faltam casos de filhos que aproveitam a fama paterna para se eleger e, uma vez no poder, não decepcionam os pais e figuram ao lado deles nos noticiários sobre esquemas de corrupção, em especial a Lava-Jato.


Leia também: 

No centro das operações da Polícia Federal nas últimas semanas, os peemedebistas do Senado Federal preferem dividir o cacife político e as propinas com quem tem o mesmo sangue. O ex-presidente do Senado Federal Renan Calheiros (PMDB-AL) usou a campanha de Renan Filho (PMDB) ao governo de Alagoas para lavar dinheiro. O pagamento por ter atuado em favor de empreiteiras no Legislativo teria sido feito através doações de eleitorais, segundo duas delações premiadas. Em uma delas, o ex-presidente da UTC Engenharia Ricardo Pessoa garante que a doação de R$ 1 milhão em 2014 para o postulante ao Executivo alagoano se tratava, na verdade, de propina para o então presidente do Senado. Em outra, Cláudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, deu um relato similar sobre o repasse de R$ 1,52 milhão quando Renan Filho disputava o governo do estado.

Na família Sarney, o modus operandi era parecido. Sérgio Machado, que comandava a Transpetro, importante subsidiária da Petrobrás, informou, em delação, que teria operado para o ex-presidente da República e ex-senador José Sarney receber R$ 18 milhões em propina. Do montante, R$ 400 mil teriam sido repassados pelas empresas investigadas Camargo Corrêa e Queiroz Galvão em forma de doação legal à campanha de Sarney Filho (PV-MA), que atualmente é ministro do Meio Ambiente.

Outro integrante da alta cúpula do PMDB no Senado é investigado ao lado dos dois filhos: Edison Lobão (PMDB-MA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Um deles, Márcio, foi alvo da Operação Leviatã há duas semanas. Presidente da Brasilcap, braço do Banco do Brasil na área de títulos de capitalização, ele é suspeito de ter se beneficiado de parte do desvio de 1% da construção da Usina Hidrelétrica de Belomonte.

A casa dele e a sede da Brasilcap foram alvo de busca e apreensão. A PF encontrou, na residência, R$ 40 mil em várias moedas e 1.200 obras de arte. O irmão de Márcio, Edison Lobão Filho, que era suplente do pai e assumiu o assento no Senado quando Lobão foi ministro de Minas e Energia, é suspeito de ter recebido pagamento ilegal do Grupo Bertin, envolvido no suposto esquema de financiamento ilegal do PT operado pelo pecuarista José Carlos Bumlai.

Leia também: 

PROPINA Os esquemas em família não são exclusividade dos peemedebistas. O ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, José Dirceu, que está preso, teria usado a campanha do filho Zeca Dirceu a deputado federal pelo Paraná em 2010 para esquentar recursos desviados da Petrobras. O esquema envolveria a empresa Hope Recursos Humanos, que tem contratos milionários com a estatal. Segundo inquérito da PF, “doações eleitorais para a campanha de Zeca foram originárias dos ajustes espúrios envolvendo as contratações direcionadas à Hope com a Petrobras e que se revelaram como um meio de branquear a propina decorrente desse esquema”.

O caçula de Lula é réu em outra operação da PF, a Zelotes. Luiz Cláudio, o Lulinha, prestou uma consultoria por R$ 2,5 milhões para uma empresa que participava de um esquema de compra de medidas provisórias para favorecer montadoras de veículos com incentivos fiscais. A suspeita da PF surgiu porque o trabalho prestado foram de “meras reproduções de conteúdos disponíveis na rede mundial de computadores”.

Assim como Lobão, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha também usou os parentes para manter conta bancária na Suíça com verba da corrupção. A filha dele, Danielle, e a mulher, Cláudia Cruz, são investigadas por isso.

O professor de ciência política João Paulo Peixoto acredita que a existência de famílias que perduram no poder por muitos anos é um reflexo do “subdesenvolvimento político que vive o Brasil”. “Isso acontece geralmente no Nordeste. As famílias têm uma força econômica e política muito grande e o pai passa esse poder para os herdeiros”, explica.

Veja também: 




Matheus Teixeira
Estado de Minas
Editado por Folha Política
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...